Prova das 9: Sinistro

Por Hugo Vinagre

05 de January de 2018

Eles não param. Após uma digressão europeia com os Paradise Lost chega agora Sangue Cássia, o novo álbum da banda que será apresentado a 13 de Janeiro no Musicbox.


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Como é que foi andar em digressão pela Europa com os Paradise Lost?

Foi uma experiência única. Foi muito emocionante, primeiro porque ficámos muito contentes e ansiosos quando soubemos da notícia que esta tournée ia acontecer e fomos convidados. E depois, claro, um mês e meio a tocar, praticamente todos os dias com os Paradise Lost... Paradise Lost não deixa de ser uma referência para alguns de nós, para a maioria de nós e foi uma experiência incrível. Foi muito bom.


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Pode ser mais complicado para ti responder por seres a vocalista, mas após um primeiro álbum instrumental, pelo crescimento que tiveram pode dizer-se que juntar voz à música mudou tudo na carreira dos Sinistro?

Não sei se mudou tudo, veio reforçar também o ambiente que Sinistro já tinha criado, porque o primeiro álbum é instrumental mas penso que tem uma sonoridade já muito própria, muito cinematográfica, muito imagética, portanto não sei se mudou tudo mas acho que acrescentou alguma coisa.


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Esse primeiro álbum já tinha os nomes das canções em português. Cantar em português foi o que tinha que ser, nem foi discutida outra hipótese?

Não, não foi discutido. Quando o Fernando e o Rick vieram ter comigo, fazer a proposta no sentido de colaborar com eles no EP Cidade, a ideia, a proposta, era já em português, portanto, não se colocou outra hipótese. Para eles, não sei se era uma condição, mas gostariam muito que isso acontecesse, era natural, e para mim foi uma surpresa a todos os níveis, até o próprio convite e a colaboração. Foi muito bom e agradável, porque às vezes achamos que com o inglês consegues alcançar mais coisas, a nível internacional ou não, connosco foi o contrário, foi o português que nos levou lá para fora. 


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Tu já cantavas, sabes como eles te descobriram?

Já conhecia o Fernando Matias, que também é produtor e já tinha colaborado com ele em várias coisas. Isto aconteceu porque eu estava a cantar com Pedro e os Lobos e o Rick foi ver um concerto em Almada. E viu, gostou, gostou da minha voz e a partir daí surgiu a ideia de me convidarem, foi assim que aconteceu. 


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Como é ser mulher num mundo essencialmente masculino?

Posso dizer que no final da tournée já me sentia quase um homem, já me estava quase a crescer pêlos no peito e a voz mais grave. Não, isto é brincadeira. Sinto-me bem. O rock é muito masculino, mas felizmente penso que as coisas também já está a mudar nesse sentido, já há cada vez mais mulheres e cada vez mais referências. Sinto-me bem, quando estás em tournée o mais importante é que nos possamos ajudar uns aos outros e que as coisas corram bem, acima de tudo que possamos dar excelentes concertos. Foi isso que tentámos fazer em todas as datas, quase como se fossem as últimas. Acho que é assim que deve acontecer, o público é diferente portanto tens que pelo menos tentar sempre, com energia no máximo, e isso, não é masculino ou feminino. É.


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Esse primeiro EP que gravaram juntos vinha assinado como Sinistro & Patrícia Andrade. Aí ainda não tinhas entrado definitivamente na banda?

Não, porque isto aconteceu muito naturalmente, eles convidaram-me para participar no EP e fazer as duas músicas, que já estavam compostas, praticamente finalizadas, portanto eu iria dar a voz dentro daquilo que já estava concretizado, mas correu tão bem, foi tudo tão espontâneo, foi tão rápido, até a própria gravação e penso que houve uma energia colectiva muito boa, tanto da parte deles como da minha, demo-nos muito bem e isso fez com que quiséssemos continuar. E aconteceu, foi muito natural e continuámos. 


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Também és actriz, como é que consegues conjugar isso com saídas em digressão?

Agora é mais difícil, ou seja, o teatro é mais complicado de conciliar, está um bocadinho digamos assim, em stand by. Embora eu tenha muitas saudades, porque o estilo, a energia, é a mesma, mas depois são registos diferentes entre estar em palco no teatro e na música. Mas neste momento a prioridade é Sinistro. Dobragens ainda faço, isso é mais fácil porque consegue-se gerir datas. Um mês e meio fora foi de facto longo mas ainda assim consegui, também com a compreensão dos estúdios, tentar ou adiantar ou retardar. Agora estou a fazer o Inspector Gadget, sou a sobrinha, a Penny, estou a fazer Os Thundermans, que faço um dos rapazes da família, vou fazer Regal Academy, que é numa escola de magia e as referências são todas as personagens clássicas, a Branca de Neve, Bela Adormecida, e pronto, é basicamente isso. 


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Qual era o plano para este novo álbum e já agora que título é este?

Não houve propriamente uma ideia estabelecida de como vamos fazer, basicamente o processo foi muito parecido ao anterior, ao Semente, que foi as músicas iam sendo compostas, às vezes ao mesmo tempo que as letras, mas normalmente as letras surgem um bocadinho mais tarde. Aqui o processo foi exactamente o mesmo, não foi uma coisa muito pensada no sentido “Ok, agora vamos fugir do Semente ou vamos manter”, não, aconteceu que, digamos que o Sangue Cássia é o seguimento do Semente, talvez com momentos mais pesados, mas penso que é a continuidade do Semente. O título, nós inspirámo-nos muito na botânica, nas flores, e Sangue Cássia acaba por ser uma metáfora, Cássia tem a ver também com a essência, era fazer uma metáfora entre a essência das flores e a nossa essência, do ser humano. Retrata muito isso, ou seja acerca da essência, de histórias, de pessoas, é muito focado em pessoas e em questões existenciais, sentimentos, portanto é um bocado o sangue da nossa essência. 


9

O que é que podemos esperar do concerto de apresentação no Musicbox?

Pode-se esperar músicas novas, como é lógico, porque é o lançamento, acompanhado de projecção e de vídeos. Não vamos tocar o álbum na integra, só algumas faixas e depois vamos pôr músicas do álbum anterior à mistura também. Espero que seja muito especial, também para nós, é um concerto de lançamento, tanto nós como o público está a experienciar uma coisa nova, porque para nós também é novo, ainda que estejas a ensaiar, a tocar, mas apresentar ao público vai ser a primeira vez, portanto é sempre especial. Na última digressão já tocámos uma faixa em todas as datas, a Abismo, também foi para nós uma experiência, vamos ver como é a reacção, como é que vai resultar ao vivo, acabámos por dar uma pequena introdução do que é que pode ser o disco.


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