Prova das 9: DJ Overule

Por Hugo Vinagre

20 de February de 2018

Após um final de ano em alta, em que recebeu o prémio Best Portuguese Act, da MTV, e lançou It’s Not Over, o primeiro álbum de uma já longa carreira, fomos saber mais sobre o passado, presente e futuro deste DJ que veio do Norte.

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Lançaste recentemente o teu álbum de estreia, ao fim de 13 anos de carreira. Isso não pode dar azar?

Não sou supersticioso nessas coisas, nessas e em quase tudo na minha vida, não ligo muito a essas questões dos números, sinceramente, nem me fez muita confusão estar neste ano em que faço 13 anos. Acho que faz sentido porque foi o timing certo, 2017 também foi um ano excelente para mim, foi possivelmente dos melhores anos da minha carreira e culminar com o lançamento do álbum foi mesmo uma cereja no topo do bolo. Fiquei muito satisfeito por conseguir esse timing, no fundo. 


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Foi coincidência ser publicado pouco depois de teres ganho o Best Portuguese Act da MTV?

Foi, aliás, o álbum devia ter saído uns meses antes, a ideia era termos lançado logo no final do Verão, ali por Setembro, mas entretanto, como nem sempre as coisas dependem de nós, houve alguns atrasos e acabou por sair mesmo no final do ano.


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Achavas possível o prémio ir para um DJ?

Sinceramente não. Nunca imaginaria ganhar este prémio, foi uma surpresa completa, quando me deram a notícia de que tinha ganho estive cerca de duas a três horas a processar, porque não estava a acreditar mesmo, era impensável para mim, já estava com a minha cabeça noutro sítio completamente. Nem sequer estava a assistir à cerimónia, que foi no mesmo dia, não estava para aí virado, estava mesmo a pensar que ia ganhar outro nomeado qualquer. 


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Seres do Porto teve influência, positiva ou negativa, naquilo que és hoje?

Alguma influência tem sempre. Especialmente na parte que os artistas ou músicos do Porto, quem diz do Porto, diz do Norte, sentem uma maior dificuldade em conseguir promover o seu trabalho, em conseguir fazer determinadas coisas, a verdade é essa. Principalmente nos meios de comunicação, a nível até mesmo de editoras, de meios de promoção, estão quase todos localizados em Lisboa e para os músicos e artistas que estão espalhados pelo resto do país acaba por ser sempre um bocadinho mais difícil, a distância faz com que tenhamos que fazer de certa forma um esforço redobrado. Mesmo a nível de despesas, acaba também por ser algo mais dispendioso, porque temos que fazer muito mais deslocações a Lisboa, às vezes também nem sempre é possível a nível de agenda, o que torna as coisas um bocadinho mais difíceis. Se calhar isso também ajuda com que nós tenhamos mais vontade, temos ainda mais força para fazermos acontecer e depois quando vemos os resultados acaba por, de certa forma, ser mais satisfatório. Sentimos que se estivéssemos em Lisboa as coisas aconteceriam mais facilmente e assim damos mais valor ao nosso trabalho nesse sentido. 


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Parte das receitas da venda de It’s Not Over vão reverter a favor dos Bombeiros de Portugal, sendo que a capa do álbum também remete para incêndios. Foi algo que te marcou bastante?

Sim, eu passei basicamente o Verão todo a percorrer o país e assisti a muitas situações dessas, passei inclusive duas vezes pelo meio de incêndios que estavam a acontecer no momento em que íamos na estrada, assistimos a muitas dessas situações. E é óbvio que, mesmo depois de muitas terem acontecido, ainda passámos por locais em que vimos tudo totalmente carbonizado, e isso mexe connosco, deixa-nos tristes. Depois também acompanhámos todas as outras situações pelos meios de comunicação, e sentimos que de alguma forma devíamos dar algum contributo, eu especialmente senti isso e acho que foi a melhor maneira que arranjei para poder ajudar de alguma forma os bombeiros, o trabalho deles e tentar melhorar a qualidade do trabalho deles, que acho que é fulcral e temos que dar o nosso apoio nesse sentido. Muitas vezes eles queixam-se que não têm determinados apoios e se todos juntos o fizermos, seremos beneficiados no futuro com isso.


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Já compões há muito tempo?

Compor, compor, não componho há muito tempo, basicamente comecei para este disco. Produzir, já faço produção de música há algum tempo, isto porque, antigamente, quando comecei a produzir o recurso ao sample era muito maior e era se calhar mais um beatmaker do que um produtor. Não existia propriamente uma parte da composição, eu não escrevia a melodia, nem escrevia acordes. Hoje em dia faço isso, e para este álbum já fiz. Mas a nível de produção, já faço produção de temas há cerca de 8 anos. 


7

Neste disco recuperas temas que foram nascendo ao longo da tua carreira ou foram compostos especificamente para o álbum?

Não, não, os temas que saíram neste disco, foi mesmo já a pensar no disco. Houve alguns que acabaram por não entrar no disco, neste momento ainda estão na gaveta, mas não houve nenhum tema que tivesse feito há uns anos e que o fosse buscar a pensar “Isto se calhar encaixava bem”, não, foram mesmo já todos a pensar no álbum.


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Tens uma selecção ecléctica de convidados, uns mais famosos que outros, uns mais old school. Qual foi o critério?

O meu critério é o de sempre: faço o instrumental ou tenho alguma ideia para fazer o instrumental, ou compor algum tema e quando estou se calhar a meio do processo começo a pensar quem era capaz de encaixar bem a vocalizar isto. Depois, mediante isso, faço uma espécie de reflexão de alguns nomes eventuais que poderiam representar aquilo que tenho em mente para aquele tema específico. E pronto, a partir daí depois é o processo de convidar os artistas e jogar com isso, ou seja, nem sempre os artistas que tinha inicialmente pensado para determinado tema estão disponíveis naquele momento. Aí ou opto por outro artista que seja também ao encontro do tema, ou então aguardo algum tempo até ele estar disponível, o que aconteceu algumas vezes e às vezes também por isso é que o álbum atrasa sempre um pouco.


9

Com o prémio da MTV e o álbum a fecharem 2017 em grande, já imaginas qual vai ser o ponto alto do teu 2018?

Não faço ideia. Os nossos objectivos são continuar a promover o álbum e a fazer muita estrada. A nível de estúdio e produção também tenho algumas coisas que quero fazer, não a nível de álbum, mas ainda vou lançar alguns singles em 2018. Não sei ainda se vou fazer um EP específico ou se vão ser apenas singles, mas basicamente os nossos objectivos passam por aí. Se acontecerem outras coisas, já não é no âmbito dos nossos objectivos, é algo que aconteceu naturalmente, por resultado também do nosso trabalho.


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