1- Em primeiro lugar, não há como deixar de perguntar: o que te levou a escolher estenome?
Desde que eu pensei em criar este projecto que queria ter um nome artístico que estivesse ligado directamente a mim, não queria inventar nada que na minha cabeça não fizesse sentido. Na verdade, demorei mais de 2 anos até encontrar um que gostasse realmente, porque sempre pensei em ter um "aliás" a soar internacional e o meu último apelido (Poças) não funcionaria por causa da cedilha. Comecei a fazer jogos de palavras com o meu primeiro apelido (Marante), até que numa tentativa de anagrama cheguei ao Maarten - juntei-lhe o Dan (de Daniel, claramente) e senti que era este. Nessa semana arranquei com todo o processo de marca, branding, design, tal era a confiança. [risos]

2- Frequentaste a London School of Sound. Foi lá que aprendeste muito do que sabes?
A LSS (London School of Sound) serviu para ter a certeza que era música que eu queria fazer e era isso que me deixava realmente feliz. Em Londres aprendi muitas coisas que não estão escritas nos livros nem em tutoriais de YouTube, porque pude aprender com engenheiros de som e produtores que trabalham com artistas como a Beyoncé, Kylie Minogue e muitos outros, e a partilha entre os vários produtores que lá estavam, como eu, a aprender, era enorme. Estava lá quando o estilo musical "dubstep" passou de undergound a comercial, então a experimentação em termos de produção virou algo inexplicável e todos os dias tentávamos algo novo e "fresh". A troca de experiências e conhecimentos entre todas as pessoas que lá estavam, de três continentes diferentes a aprender, fez realmente de mim um produtor melhor e com uma visão muito mais abrangente da que tinha quando lá cheguei. Se fosse hoje, repetia tudo de novo! Mesmo com o brexit. [risos]

3- Estás também a fazer a digressão do 10º aniversário da dupla FunkYou2. Se te pedisse para destacares o momento mais alto dessa década, qual seria?
Em 10 anos de estrada são muitas a histórias, muitas noites de festa e muitos quartos de hotel em que não consegues dormir seja pela claridade ou pelo barulho das senhoras da limpeza aos berros umas com as outras às 10 da manhã nos corredores quando te deitaste às 8 e só querias conseguir dormir umas cinco horas para depois arrancar para outra parte do país. Para mim, o momento mais alto foi, sem dúvida, quando tocámos em 2010 no estádio do Jamor na festa de Apoio à Selecção Nacional de Futebol, juntamente com os Black Eyed Peas. Todo o ambiente que se viveu desde o backstage ao público foi mágico e indescritível. Lembro-me como se fosse hoje!

4- O que é que te levou a querer ter também uma carreira a solo?
Enquanto produtor de música, o projeto Dan Maarten dá-me a possibilidade de tocar aquilo que eu mais gosto e produzo. Foi algo que sempre pensei em fazer, não sabia em que altura seria, mas sabia que iria ser numa vertente electrónica e com uma musicalidade e visão totalmente diferente daquilo que são os FUNKyou2. Teria de ser um projeto que me deixasse totalmente satisfeito, desde o tempo que lhe dedico em estúdio a produzir ou a editar músicas para tocar ao vivo, até ao palco a actuar. Consigo tocar aquilo que mais gosto, sem perder a minha identidade e claro, também deforma a agradar ao público que está à minha frente.

5- E ainda tens tempo para ter também uma editora, a BreakOut Records. O que é que te levou a querer fazer essa aposta?
A BreakOut apareceu numa altura em que não estava ligado a nenhuma editora e sentia que havia muitos bons produtores em Portugal que simplesmente não tinham a oportunidade de editar os seus trabalhos. Decidi abrir a minha própria Label numa tentativa de ajudar os jovens talentos nacionais (e internacionais) a ter a possibilidade de ver as suas músicas lançadas em todas as plataformas digitais e ainda de fazer chegar as mesmas às rádios e meios nacionais. Quero e gosto de poder ajudar outros artistas. Gostava que em Portugal fossemos todos mais unidos como se vê noutros países da Europa!

6- Lançaste o teu último single pela Vidisco. As editoras continuam a ser importantes nesta era do Facebook, YouTube e Spotify?
Os tempos são outros, o formato físico quase já não se vende, ou vende-se muito pouco. As editoras sabem disso e são as primeiras a perceber como fazer frente a essa mudança. A base de contactos continua a ser a mesma e os meios de comunicação dão ainda mais importância a um e-mail recebido pela editora X do que pelo artista Y que ainda é desconhecido. As editoras permitem-te também, como no meu caso, gravar um videoclip (porque existe um budget) e uma série de acções promocionais que,dificilmente, tu enquanto artista sem ligação a nenhuma editora conseguirias. Quase todos os grandes artistas estão ligados a uma editora e mesmo aqueles que são descobertos na Internet acabam por, mais tarde ou mais cedo, assinar um contrato com uma. Claro que há excepções à regra! Mas, a forma como as editoras comunicam com o "grande público", é maioritariamente através das redes sociais, que hoje em dia têm um peso gigante na vida de um artista!

7- Estás constantemente a viajar, essa parte ainda te dá prazer ou se inventarem o teletransporte aderes logo?
[risos] Bem, depende do tipo de viagem na verdade. Se quando estiver em viagem puder passar por locais interessantes que ainda não conheço aproveito para visitar e se houver tempo, experimentar a gastronomia local. Se for daquelas viagens seca que só se vê alcatrão ou o quarto de hotel… o teletransporte ia ser o meu melhor amigo!

8- Foi editada recentemente a compilação Anual Mix Summer 2016, misturada por ti. Explica-nos como se tivéssemos cinco anos o que é que fazes exactamente em casos como este?
É mesmo simples de perceber. O princípio do processo passa por uma busca de temas que mais tenham funcionado no nosso país desde o Verão passado até ao Verão deste ano. Após os temas estarem escolhidos cabe à editora (neste caso a Vidisco) pedir autorização às outras editoras para o uso dos temas. Depois de tudo estar autorizado, começo a idealizar aquilo que eu gostava de ouvir enquanto estivesse, por exemplo, a fazer uma viagem longa de carro. A começar de uma forma mais calma e a terminar com um ritmo mais mexido. O próximo passo é pegar no alinhamento que idealizei, copiar as músicas para um software chamado Ableton Live (podia ser outro, mas eu gosto deste) e começar a misturar as músicas como se estivesse a tocar ao vivo!

9- Qual foi o momento mais estranho que já aconteceu durante uma atuação tua?
Teve tão de estranho como de surpreendente! Estava a tocar como FUNKyou2 e nós tínhamos uma rotina planeada e idealizada há uns três anos, em que, a meio do set, fazíamos uma transição para os clássicos de rock para fazer o público vibrar e saltar e agradar aos amantes do rock'n'roll. Estávamos a abrir uma banda internacional e virámos o estilo musical para essa tal rotina que usávamos sempre que actuávamos quando o Road Manager da banda vem ter comigo ao palco e me acusa de estar a copiar o set da banda que ia tocar a seguir porque há dois meses que eles tinham esse alinhamento dentro do espectáculo deles. Claro que a meio do meu set alguém me vir chamar à atenção por algo que eu estou a fazer é, no mínimo, estúpido. Quando terminamos o set, fui lá falar como senhor e perguntar-lhe afinal qual era o problema dele. No fim, dei graças ao YouTube, quando lhe mostrei que havia um vídeo nosso há mais de dois anos online com esta mesma rotina e aproveitei para lhe perguntar se os artistas dele não se teriam inspirado na nossa rotina, porque de facto era estranhamente semelhante... [risos]

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