Disseste numa entrevista que grande parte das pessoas acha que és uma besta. Tens explicação para isso?

Não é muito original de se dizer, mas as pessoas temem sempre aquilo que é diferente e que lhes é diferente. Tendo a achar que é porque não me comporto da forma habitual que as pessoas se comportam em Portugal.

Sentes-te numa relação amor/ódio com o país?

Hoje em dia tenho uma relação muito mais pacificada, preocupo-me menos com o país, digamos assim, e mais comigo. Nesse sentido até tenho uma relação de amor com o país, se quiseres. Não sei se Portugal não será o melhor país do mundo para se viver, se não é anda lá muito perto, desde que tenhas algum dinheiro, obviamente, como em qualquer país. Ser pobre na América ou no Canadá não deve ter piada nenhuma.

Alguma vez ponderaste emigrar?

Epá, não, não... Também nunca precisei de ponderar.

O que é que significa exactamente ser director de conteúdos dos canais temáticos da SIC?

Sou o responsável pela performance, se obtêm resultados de audiências, se cumprem os orçamentos, portanto, se gastam a mais ou o dinheiro correcto para atingir esses objectivos, no fundo é isso. A partir do momento em que existem essas duas balizas, obter resultados e não gastar dinheiro a mais, é operar em função disso e também em função do quadro legal, temos de ter 50% de produção nacional.

Tens que escolher programas pelo preço certo.

Há responsáveis específicos, mas estou lá para orientar, no limite para supervisionar, e depois pô-los à hora certa, porque as audiências só medem a televisão em direto, as gravações não são medidas. O facto das pessoas gostarem muito do programa que depois só vêem no fim-de-semana, para nós é indiferente, isso não nos dá resultados. Fico feliz que as pessoas gostem, mas nós precisamos é que nos vejam em direto.

Não há previsão para passarem a contabilizar as gravações?

Acho que não será para breve.

Então és avaliado pelas audiências?

Certo, se fosse director de uma revista, se calhar seria avaliado pelas vendas, é a mesma coisa.

Mas é um fator importante?

É o único, não há nenhuma avaliação qualitativa que resista a uma má avaliação quantitativa. Posso ser a melhor pessoa do mundo e escolher os melhores programas do mundo, mas se não tiver resultados sou posto a andar.

Disseste que a Radical é o canal português mais difícil de fazer. Porquê?

Tem uma imagem no passado forte, um perfil em que as pessoas legitimamente esperam qualquer coisa de diferente ou especial, não esperam o convencional, o arroz de pato ou bacalhau à Brás. Logo, é preciso resolver essa quadratura do círculo, ter programas que são diferentes e obtêm resultados, tentando respeitar o legado do canal, é mais ou menos isto.

Fotografia - Bernardo Coelho

Como explicas que um programa com um bruto como o Gordon Ramsay, com quem poucos gostariam de trabalhar, seja líder de audiência? Há um prazer em ver outros serem humilhados?

Isso é uma questão interessante, quer dizer, o mundo é como é. E sempre foi como foi. Muitas vezes, para nos sentirmos melhores pessoas, tendemos a achar que gostaríamos que o mundo fosse melhor. Pessoalmente acho que isso não é verdade. Programas como esse que citas têm personagens fortes, os personagens fortes geram controvérsia e quem gera controvérsia em princípio gera atenção. A atenção traduz-se em resultados, neste caso audiências, é só isso.

Há uma diferença entre o que as pessoas querem, dizem e fazem?

Sim, embora fosse maior no passado. Hoje as pessoas estão mais à vontade nisso, são menos condicionadas por aquilo que julgam ser a opinião dos outros.

Mas quando ficam tristes porque o Daily Show acabou, viam mesmo ou...

...Há excepções, nesse caso não, tens razão. Há programas que as pessoas querem que existam.

E não vêem com assiduidade.

É aquilo que chamo o programa do Portugal dos Pequenitos, queremos que exista, mas se calhar só lá fomos uma vez na vida. E se amanhã o governo anunciar que vai demolir ou vender aquilo, fazemos petições, escândalos e indignações, apesar de não irmos lá pôr os pés. Isto não traduz necessariamente que as pessoas são parvas ou estúpidas, significa que na nossa vida precisamos de símbolos e de coisas que consideramos positivas. Tocar numa coisa positiva acarreta sempre algum transtorno.

O investimento em programas portugueses compensa?

Não.

Então fazes por uma questão de imagem do canal?

Somos obrigados a ter 50% de produção nacional, os canais FOX, AXN, Disney, ou MTV, podem ter zero. E o Panda, ou o Cartoon, ou seja, a lei portuguesa e a europeia autoriza que as nossas crianças sejam educadas pelos valores Disney. Basebol, Phineas e Ferbs, Violetas, não são obrigados a investir um centavo em produção nacional. E os portugueses convivem bem com isso, infelizmente nunca houve nenhuma indignação na internet sobre este tema, dava-me jeito.

Tentam impingir-te muitos programas?

Tentam, às vezes é muito desgastante ter o meu cargo porque, sei lá, numa semana ou num mês podes destruir os sonhos de cinco ou seis pessoas. Em Portugal chega-se facilmente aos responsáveis pelos canais, mandam um mail, “tenho aqui uma ideia para um programa” e depois tenho de ser pedagógico. Embora fique com a sensação que as pessoas na maior parte dos casos não entendem, quando lhes digo que a ideia deles por melhor que seja depende muito da execução e uma boa execução é muito cara e difícil de fazer. Aí depois aplica-se aquilo que se chama efeito Ikea, quando compramos um móvel e o montamos nós. Quando montamos um projeto, tendemos a achar que tem muito mais valor do que propriamente o valor intrínseco. E há outro fenómeno curioso, a maior parte das pessoas que me apresentam programas, diria 95%, não vê televisão, mas querem fazer um programa. São fotógrafos que querem fazer um programa sobre fotografia, veterinários que querem fazer um programa de animais. É um pouco a mesma coisa que se eu for a uma loja de tatuagens e disser que tenho aqui umas ideias para umas tatuagens. Mas as pessoas não conseguem entender isto, acham que por perceberem imenso de tatuagens saberão fazer um programa de televisão de tatuagens. É como fazer prédios ou pontes, tem uma técnica.

Mas existem produtores que sabem pegar nessas pessoas e transformar isso num programa, certo?

À escala do cabo não. E à escala maior também não, na verdade não existe em Portugal essa actividade. Existe muito amadorismo, a palavra tem uma conotação negativa, mas também há um lado positivo nisso, significa que as pessoas gostam e se empenham, querem andar com as coisas para a frente. Outro aspecto interessante é que quando digo “sim, é uma boa ideia, mas devias começar na internet, é o futuro”, não querem. Não vêem televisão, toda a gente diz que a televisão está morta e a internet é o futuro, mas essas pessoas querem fazer programas de televisão.

Acham que a ideia é demasiado boa para a internet?

E porque a televisão legitima as coisas, como gostam muito de tatuagens querem fazer um programa de tatuagens na televisão, ponto final. Provavelmente houve um amigo que lhes disse ontem “pá, tu devias fazer um programa de televisão”, ele convenceu-se disso e pronto.

Falta transformá-lo num produto.

Claro. E provavelmente não teria nada a ver com tatuagens, mas sim com os personagens. A televisão é sobre pessoas, não é sobre coisas.

O teu poder faz com que sejas assediado, ou isso é só nos filmes?

Zero, só nos filmes. Quer dizer, não sei se é nos filmes, mas na minha vida, zero, zero. A vida é muito menos interessante do que parece, a minha e a de toda a gente.

E o Ídolos. Vês o programa antes de passar na tv?

Não.

Então não sabes o que vai acontecer?

Tenho uma ideia porque estou lá, posso sentir que aquela parte foi suficientemente interessante para caber.

Estás ali como funcionário da SIC ou colaborador da empresa que produz o programa?

Sou um elemento da equipa, obedeço a ordens tanto quanto as pessoas ao meu lado. Como o que eles comem, não tenho nenhuma espécie de privilégio.

Nunca pensas “estava tão bem em casa a ler um romance”?

Várias vezes. Para já, o programa tem um grande impacto na sociedade, é uma coisa que me surpreende um pouco, acho que a vida é um bocadinho mais importante que os programas de televisão, mas pelos vistos estou enganado. E o sentido de justiça que as pessoas têm em casa, é difícil aplicá-lo ali. Se soubessem as condições em que fazemos aquilo, entenderiam melhor algumas decisões. Ver um concorrente às 11 da manhã é diferente de o ver às duas da manhã, ou seja, obviamente um médico é melhor médico se estiver fresco, um jogador de futebol é melhor se estiver fresco e o jurado destes concursos também. Depois, as pessoas em casa não vêem os concorrentes pela ordem que nós vimos, no limite podes ver um concorrente que vimos às duas da manhã, seguido de outro que vimos às 11 da manhã, e achar “ah, aquele cantou melhor, aquele cantou pior, estes tipos não percebem nada disto”. E nós ouvimos um tipo de som em sala, como duas pessoas a falar uma com a outra, com o eco normal e em casa ouvem uma captação de microfone, completamente diferente. Finalmente, ouvires 50 pessoas de seguida, a tua bitola vai-se alterando. É a mesma coisa que comeres cinquenta tipos de queijo diferentes, ou comeres só um quando estás com fome e pronto. Vemos pessoas das 10 da manhã às 2 da manhã, praticamente ininterruptamente e é muito cansativo. Portanto às vezes sim, gostava mais de estar em casa.

Fotografia - Bernardo Coelho

As pessoas mandam-te bocas na rua?

Não, os portugueses pela frente não dizem nada, só pelas costas.

Porque é que quiseste passar por isto outra vez?

Porque me pediram, os domingos na SIC não estavam a correr muito bem e agora com o Ídolos estão.

Então colocaste a empresa à frente do teu interesse pessoal?

Não é isso, às vezes há certos desafios na vida que queres vencer, ou superar, porque achas que podes fazer bem. Já não fazia para aí há cinco anos, portanto “ah, vamos fazer isto outra vez, estás interessado?”. “Está bem, vamos a isso”, também não há grande ciência.

Lidas bem com ser reconhecido?

Este ano estou a ser muitíssimo mais insultado do que devia, porque as pessoas descobriram que sou estrábico, o que acho espantoso, porque eu já era. Como se fosse culpa minha, não é. Ser gordo em princípio é culpa tua, podias fazer dieta, agora ser estrábico, ou alto, ou baixo, ou canhoto, ou ter a pele preta ou branca, tu não escolheste. Usam isso para dizer que sou mau a fazer aquilo, como se o estrabismo tivesse alguma coisa a ver com a capacidade de avaliar candidatos a cantar. Pronto, é isto.

Entre gozar com orelhas e Maomé, consegues perceber o que é tolerado pelas redes sociais?

Os portugueses são conhecidos por fazerem pouco, portanto têm imenso tempo, somos dos países que mais horas passa nas redes sociais. Têm a mania que são especiais, mas não resistem à unanimidade. Ao ver um cãozinho que foi abandonado ou um miúdo que as pessoas acham que foi humilhado por um programa de televisão, ficar do lado do miúdo é inequívoco e eu concordo que seja, também ficaria se estivesse de fora. As pessoas cavalgam essa onda, é a vida.

Preocupa-te que um erro possa levar a um apedrejamento virtual?

Acho é que, não sei, 97% das pessoas que se puseram do lado do miúdo seriam as primeiras a gozar com as orelhas dele se fossem da mesma escola. Mas isso só significa que somos humanos, não que as pessoas sejam más ou boas. Este episódio poderá fazer pensar, mas a televisão também é assim, adapta-se em função de episódios que acontecem. Curiosamente, as audiências do programa a seguir a esse incidente foram óptimas, as pessoas não boicotaram o programa, são ativistas de sofá. Odeiam-nos, mas depois vêem o programa, são assim os portugueses, o que é que se há-de fazer? Se calhar o comando avariou-se.

Mas tens em conta que se cometeres uma argolada podes ficar com uma marca para sempre?

Não me preocupa, mas estou consciente disso, claro. Ou seja, farei por não cometer esses erros. Vou dar um exemplo estúpido: vais cantar uma música e eu não tenho a certeza se é dos Beatles ou dos Stones, nesse caso não digo nada, pronto, é nesse sentido. Agora vão ler isto e dizer “nem sabe distinguir uma música”. Nesse programa das “orelhas” fizemos uma cantiga a imitar uma música da Bonnie Tyler e as pessoas puseram na internet “como é que é possível serem jurados se nem cantar sabem”. Ao dar este exemplo dos Stones e dos Beatles, corro o risco de lerem isto e acharem “estás-te a justificar mas na verdade não sabes”, as pessoas são assim.

Sentiste-te intimidado ao mudar para uma área completamente nova após muitos anos na imprensa escrita?

Zero, não.

Porque és assim em relação a tudo?

Não, porque acho que apanho as coisas depressa. Há muito mais pessoas que também apanham, no big deal. Pedem-me coisas, se acho que é razoável, pronto, vamos a isso.

Tens alguma saudade do tempo em que trabalhaste em revistas masculinas?

Nenhuma. É um tipo de produto que não é suficientemente valorizado em Portugal, é sempre “ah, as gajas e tal” e isso é muito cansativo, é nesse sentido que não tenho saudades.

Há três anos lançaste um romance, é algo a repetir?

Talvez, não é uma prioridade, mas talvez sim. Lancei o livro porque me pediram para fazer um romance e fiz, gosto de ler e de ver histórias na televisão. Como qualquer um, também terei a mania que consigo congeminar umas histórias, mas não sinto grande necessidade de as pôr cá para fora. Naquele caso tinha uma ideia, apenas me interessava a personagem principal, depois tive de arranjar uma historia à volta dele.

O que é que te levou para o jornalismo?

Não faço a menor ideia, nunca me considerei do jornalismo. Com 16 anos fazia rádio pirata, depois quando as rádios foram legalizadas, penso que no início dos anos 90, voltei a trabalhar em rádio, e com 21 anos já era diretor de programas, apesar de ser estrábico. E escrevi sobre música para o Independente durante oito anos. Quando as pessoas em casa pensam “ah, o jurado do Ídolos não percebe nada de musica”, ainda não eram nascidas já havia pessoas que achavam que eu percebia de música e me pagavam por isso. Ou essas pessoas eram completamente estúpidas ou eu havia de perceber alguma coisa. E na Rádio Marginal, a primeira radio rock de Portugal, apanhamos a fase do grunge, fomos os primeiros a passar Nirvana, Pearl Jam, também tinha algum olho para aquilo. Depois fui trabalhar para o Independente, já escrevia para lá e convidaram-me.

Tinhas um plano?

Nunca tive nem tenho, embora às vezes gostasse de ter.

Fotografia - Bernardo Coelho

Estás há sete anos na SIC, não há prazo limite?

Em Portugal não há propriamente 84 coisas a acontecer, não é? Trabalho num sítio porreiro, onde muita gente provavelmente gostaria de trabalhar e isto não é um país riquíssimo onde estão a abrir televisões por todo o lado, ou revistas, ou não sei quê, que possam fazer uma proposta que me seduza. Posso dizer que não tenho uma proposta profissional para aí há cinco ou seis anos.

Quando estavas a começar era mais fácil arranjar emprego?

Houve uma altura em que era mais fácil, quando o país tinha, ou achava que tinha mais dinheiro, quando estavam a dar cabo do país, pelos vistos. Era um bocadinho mais fácil porque estavam sempre a abrir projectos e não sei quê.

Li num comentário a uma entrevista tua que deves ser assim porque tiveste uma infância infeliz, qualquer coisa deste género. Mas diria que não te queixas destes quase 45 anos, correcto?

Não acho que tenha mau feitio, não acho mesmo, e essas coisas cansam-me. São pessoas que não me conhecem, obviamente, vivemos num país e numa sociedade em que as pessoas querem ser doces umas com as outras e depois podem enganá-las e não cumprir, mas isso para os portugueses não é muito importante, o importante é o trato. Ser frontal em Portugal é um tipo ter tido uma má infância, pronto, é isso.

Arrependeste de alguma coisa?

Não, mas também não faz parte de mim dizer que não me arrependi, faz parte de mim é não pensar sobre isso.

E mantinhas Marco Silva mesmo que perdesse a Taça de Portugal?

Não, quer dizer, bolas, sei lá. O Bruno de Carvalho é um personagem do mesmo tipo que eu, é um gajo irritante, arrogante, é o que as pessoas acham, preferem um presidente do Sporting simpático, que vai à televisão e é muito educado e doce. Os portugueses querem à força que ele seja um Vale e Azevedo, mas confio que tomará a melhor decisão em relação ao treinador. Quanto muito acho que não deve ser fácil ser presidente do Sporting, nem treinador, porque, e isto os portugueses fazem muito bem, vivem duas vidas ao mesmo tempo. Não há dinheiro, temos de apostar na formação, depois o Benfica e o Porto pagam salários inacreditáveis e o Sporting é criticado por não ganhar nada. Supostamente está a fazer a coisa certa, os outros estouram dinheiro, mas estão certos porque ganham o título.

O que é que te leva a ser tão claramente de direita?

Sou mais anti-esquerda do que de direita. A nossa sociedade, por várias razões, acredita que o correcto é dizer coisas do tipo “casas para toda a gente”, “reformas altas para toda a gente”, com que também concordo, é evidente, não quero que existam pobres, quero que vivam bem, sejam todas operadas e as escolas sejam todas fantásticas, tenham aquecedores e ares condicionados, mas não há dinheiro para tudo, pronto. E as pessoas que são de esquerda em Portugal saltam por cima dessa coisa do “ah, não há dinheiro” e continuam a dizer “tem que haver reformas para todos”. Na minha casa também não há dinheiro para tudo, é preciso escolher, e a política é escolher onde é que se gasta o dinheiro, não quer dizer que a direita escolha melhor que a esquerda, só estou a dizer que os recursos são finitos e a esquerda na maior parte dos casos é bastante irrealista, não querem cortar, mas tem que se fazer a reforma do estado. Ora, a reforma do Estado é cortar aqui, cortar ali. É preciso cortar em algum lado.

Também tens uma posição clara contra qualquer tipo de drogas. Por alguma razão específica?

Se me disseres “olha, estou a pensar começar a drogar-me”, digo-te que não o faças, só isso, mas não vou para o meio do Terreiro do Paço com bandeiras se houver, por exemplo, legalização das drogas leves em Portugal. Não tenho mesmo opinião sobre isso, devo ser dos portugueses que menos opiniões tem, apesar das pessoas acharem que tenho imensas opiniões. Sou contra as drogas porque acho que alteram o nosso modo de funcionar, se tomar uma droga agora, se calhar daqui a dez minutos sou uma pessoa diferente. E fazem mal à saúde, acho eu, só por causa disso.

E tens algum sonho por cumprir?

Não, tenho alguns objectivos. Se pudesse reformava-me amanhã, por exemplo. Além de uma ou outra coisa privada, não tenho grandes objectivos profissionais, gosto imenso de trabalhar, mas também acho que gostaria imenso de estar sem fazer nada, faria outras coisas. Embora isto possa parecer estranho e até espantoso para algumas pessoas, os meus objectivos na vida passam por criar um impacto positivo nos que estão à minha volta. Isso significa escolher bons programas de televisão, por exemplo, nós escolhemos programas de cozinha bons para a SIC Mulher e isso fez com que, hoje em dia, se calhar os portugueses cozinhem um pouco melhor, se calhar os nossos restaurantes sejam um pouco melhores. Trouxemos o Shark Tank para a Radical e se calhar muitas pessoas aprenderam um bocadinho mais sobre o que é o empreendedorismo. As pessoas podem-me atacar, mas gostava que também me reconhecessem esse mérito. Se puder escolher bons programas, que tenham um impacto positivo na sociedade, digamos assim, porreiro. Se não, também olha, que se lixe.

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