Já li que eras treinador-adjunto no Atlético, mas também que têm dois treinadores principais, em que é que ficamos?

O treinador principal é o Pedro Hipólito, mas como está castigado até Outubro e temos uma boa relação, dá-me a possibilidade de estar eu no banco. Mas treinadores somos mais, há um de guarda-redes, outro que faz a análise de vídeo e temos um preparador físico. Mas o principal é o Pedro, embora agora, por castigo, até às conferências de imprensa vou eu.

E de Outubro para a frente?

Volta ao normal.

Mas tens a ambição de ser treinador principal?

Para já tenho esta boa oportunidade, deu para perceber muito como é que as coisas são feitas, como é que a dinâmica é. Até aqui tinha treinado camadas jovens e com profissionais é mais a sério.

No Belenenses, não foi?

E estive também em Espanha. Agora é diferente, mas as pessoas que estão à volta do jogo, mesmo os delegados da Liga, são pessoas que já conhecia, muitas estavam ou na arbitragem ou no dirigismo, faz com que me sinta mais à vontade.

Quantos anos demorou até te rires quando alguém fala do vermelho pela agressão ao Deco?

É uma coisa curiosa, todos os dias alguém me fala desse lance, ainda agora aconteceu. Foi complicado, eram duas gerações boas, tanto do Porto como do Deportivo da Corunha, que tinham a ambição de ganhar o troféu. Para o Deportivo seria a primeira vez que iria à final da Liga dos Campeões e o Porto era o do ambicioso Mourinho, com uma grande equipa. Estive dois anos sem falar com o Deco, nós jogávamos juntos e éramos amigos de casa e tudo, esses dois anos coincidiram também com a fase em que ele se separou e portanto desliguei um bocado dele, fiquei chateado, claro. Mas depois conversámos e tudo voltou à normalidade.

Fotografia - Bernardo Coelho

Como é ir para o balneário a seguir a uma expulsão?

Mesmo nas derrotas é muito complicado. Na expulsão fica toda a gente a olhar e a identificar que fizemos um erro. Normalmente também pesa o que é que essa pessoa fez antes, o que é que fez pelo grupo, que tipo de pessoa é, se arranja conflitos ou não. Tive a sorte de ter um grupo que aceitou a minha situação, claro que ali é decisivo, quando há uma expulsão numa fase tão adiantada da Champions já não dá para fazer as coisas de forma diferente.

Vai alguém contigo ou segues sozinho para o balneário?

Normalmente é o roupeiro, porque vai abrir o balneário. É uma situação um bocado complicada, ter todo o estádio a olhar para nós. Naquele caso, no Dragão, foi confuso, tive de atravessar quase o estádio todo até chegar aos balneários e passei pelo público do Deportivo e depois pelo do Porto, que também tinha sido meu. Toda a gente a aplaudir, tanto de um lado como do outro, foi uma sensação meio estranha, visto que já era estranho defrontar antigos colegas, quanto mais ser expulso numa situação meio caricata onde prejudiquei a equipa e me senti triste por isso.

Tal como o Porto, o Deportivo também tinha um presidente emblemático. Davas-te bem com os teus presidentes?

Sim, acho que todos os jogadores têm de ter respeito por quem manda e foram duas pessoas que, em Espanha e Portugal, mudaram a maneira de os clubes enfrentarem o poder. Aqui em Portugal, desde que Pinto da Costa tomou o poder, o Porto começou a fazer parte da elite e agora são três grandes, inclusive chegou a ser o clube com mais títulos. Em Espanha o Deportivo lutava contra o Barcelona e o Real Madrid e até conseguia ter verbas de direitos de imagem e televisão ao nível deles, o que era impensável. Era um bom negociador, trouxe grandes jogadores e fez grandes equipas, conseguiu ganhar um campeonato, ganhou taças. Fez um bom trabalho, a nível desportivo, a nível financeiro foi mais complicado, porque o clube tem uma dívida enorme.

Foste treinado pelo Jesus no Estrela e no Porto ainda apanhaste o Mourinho. Era fácil lidar com eles?

Sim. São diferentes, o Mourinho ganha logo à partida com os jogadores, porque tenta fazer um ambiente saudável entre todos, os que jogam e os que não jogam. O Jesus é mais prático, o treino dele é muito bom, mas não está com paninhos quentes para saber se o jogador A ou B está satisfeito ou não, quer é o rendimento de todos. São formas diferentes de trabalhar, os dois podem cativar um grupo, mas nitidamente o Mourinho preocupa-se em saber como é que está o jogador que menos joga, nunca se sabe se um dia vai precisar dele. O Jesus não, confia naqueles que estão a jogar e os outros têm que aguentar.

Só lhe interessa o agora?

É o agora, forma um onze base, um grupo limitado e os outros têm de pedalar mais. É um trabalho ingrato para quem está de fora, porque ele não passa informação se estamos bem ou não.

E também gostaste do Scolari?

Sim, veio mudar um pouco a forma como pensávamos o jogo, visto que em termos de futebol era muito prático, na selecção não dá para inventar muito. Escolhendo os bons jogadores que tínhamos era fácil ter um bom futebol, então ele esteve mais preocupado com a parte psicológica, em tentar fazer um bom ambiente, fechar um grupo forte e cativar toda a gente. Foi curioso ver como um brasileiro conseguiu pôr os portugueses com as bandeiras nas janelas, era impensável há uns anos, visto que muitas vezes somos tímidos em mostrar os nossos afectos. A partir daí a selecção ganhou apoiantes que nem gostam de clubes, vão ao futebol só por causa da selecção.

Fotografia - Bernardo Coelho

Então a ideia de que há treinadores melhores para trabalhar em clubes e outros para selecções é verdadeira?

Sim, nem toda a gente tem perfil para ser seleccionador, ou para treinador no dia-a-dia. O trajecto do Scolari foi em clubes, mas depois de ter estado vários anos em selecções, quando foi treinar o Chelsea já lhe custou.

É assim tão diferente?

A organização diária é muito mais trabalhosa, tem que se ter rendimento rápido, enquanto na selecção se planeia para alguns meses. É normal que, depois de estar tanto tempo fora, quando se volta a treinar um clube as coisas já tenham mudado muito e a forma de treinar também.

O que é que te custou mais, as tuas lesões ou a Grécia?

Acho que custou mais a Grécia, era uma oportunidade única para Portugal, visto que organizar um Campeonato da Europa em casa e ter a Grécia na final era o sonho de qualquer um. E o grupo que teve oportunidade de estar ali presente era forte, com jogadores que tinham sido campeões mundiais de sub-20, misturados com outros que apareceram, era uma oportunidade única para um seleccionador que tinha sido campeão do mundo, mas fomos incapazes de vencer e fica sempre o sabor amargo de perder esse jogo.

Estiveste num Mundial que correu mal e num Europeu quase perfeito. É tudo decidido dentro do campo ou antes já és capaz de perceber para que lado é que se está a inclinar?

Dá para perceber, também tive a sorte de acompanhar o Mundial de 2006 e ver o ambiente. No de 2002 o grupo que fez a qualificação nem todo participou na fase final, e começamos logo com uma polémica com o Kenedy, foi um problema com doping e depois entrou outro colega. O grupo que jogou a titular no primeiro jogo não foi o que fez os jogos todos da qualificação e notava-se a mudança. Os Estados Unidos tinham uma forma de jogar mais física, fez com que se notasse que tínhamos fragilidades nesse capítulo, e começou a correr mal. Depois tentámos redimir com um resultado bom contra a Polónia, mas frente à Coreia, que jogava em casa, tudo podia acontecer e venceram-nos, mesmo tendo uma selecção que poucas vezes tinha ido a grandes competições.

Apesar do teu ar simpático de vez em quando também davas para aleijar?

Sim, em Espanha como as pessoas não me conheciam muito não dava para sorrir, ao princípio até achavam que era bruto, em algumas jogadas mandava a bola para a bancada e os espanhóis achavam que era jogar mal, foi engraçado. Um defesa tem de ser duro, eu era dentro do jogo mas nas partes em que podia falar, mesmo durante o jogo, não era aquele jogador conflituoso, nem gostava muito de estar a espicaçar o avançado, porque não ia ganhar nada com isso.

Mas essa gestão faz-se, por exemplo, entrar duro logo no início do jogo?

Sim, houve jogos em que nitidamente apertei mais o avançado, por exemplo, jogámos contra o Real Madrid do Ronaldo, o fenómeno. Logo na primeira jogada mandei-o pelo ar e levei amarelo, sabia que ficar com cartão era um risco, mas compensou, porque durante o resto do jogo ele tentava fugir da minha zona, são formas de gerir.

Fotografia - Bernardo Coelho

Isso ensina-se ou aprendeste com o tempo?

Sensibilidade. Quando cheguei a Espanha apanhei o David Villa, ao início estava muito rápido e é logo nessas primeiras jogadas que tem que se definir. O Eto’o era complicado, lá em Espanha jogam com dois avançados, era homem para homem, se não impuséssemos ali um pouco de respeito íamos sofrer, contra jogadores dessa qualidade.

E a famosa escola de centrais do Porto? Perdeu-se?

Não existem é tantos jogadores portugueses, têm jogado os estrangeiros. Foi uma das posições em que o Porto sempre fez questão em ter jogadores de grande qualidade, agora têm o Maicon, o Bruno Indi, têm também os espanhóis, mas a qualidade é diferente.

Em campo o clube está sempre acima de tudo?

O futebol é um jogo onde existem onze pessoas com maneira de pensar diferente, normalmente os defesas são mais solidários, porque tentam corrigir os erros dos colegas e defender a baliza, enquanto que lá na frente precisam de ter rotinas e jogadas combinadas. Às vezes parece que alguns jogadores só jogam com os colegas que mais gostam, claro que em altura de aflição todos servem, mas nitidamente há jogadores que gostavam de jogar mais com o Figo, ou o Cristiano, Pauleta, Nuno Gomes, porque pensavam que eram eles que iam solucionar o jogo, mas não se devia privilegiar ninguém.

Lembras-te de todos os teus golos?

Marquei poucos, na selecção lembro-me que foram três.

O primeiro que marcaste como sénior foi no Estrela contra o Benfica, uma vitória por 2-0 em 1998.

Sim, estava a acabar a minha primeira época e o Fernando Santos meteu-me a jogar contra o Nuno Gomes e o Brian Deane. Correu bem, ganhámos 2-0, o Chaínho marcou o primeiro e eu o segundo. Marcar logo ao Benfica foi... vários colegas da escola e mesmo da rua vieram-me crucificar por isso, mas passou, foi o primeiro contacto com algum mediatismo. Tive a sorte de poder jogar nos profissionais muito cedo, mas nesse primeiro ano não fiz grande coisa, só cinco jogos e passei a maior parte da época aleijado, lesionei-me no tornozelo, mas deu para fazer uma gracinha e marcar esse golo.

E nunca foste campeão.

Não, é daquelas coisas que toda a gente olha para mim e pergunta “quantas vezes foste campeão?”. No Porto tinha dois caminhos, continuar e esperar ser campeão, ou tentar ir para outros campeonatos. Tive a oportunidade do Corunha na altura, o Porto estava a fazer um plantel experiente, queria ganhar o campeonato na raça, contratou o Pedro Emanuel e tinha muitos centrais, queria vender alguém para poder pagar o ano. Vi uma oportunidade para sair e fui, ganhava mais, num campeonato que achava que era o melhor, o Deportivo no ano anterior tinha ganho a Taça de Espanha e ficou em segundo lugar, eram as condições ideais. Claro que fica sempre isso do podia ter sido campeão...

Coincidiu com a única vez em três décadas em que o Porto esteve mais de uma época sem ser campeão.

Depois eu saio e o Porto ganha a Taça UEFA e a Liga dos Campeões.

Nunca pensaste “devia ter ficado lá”?

Não, porque na Liga dos Campeões, se o Deportivo passa à final podíamos ter ganho e fui para um campeonato bom, o que fez com que também jogasse com regularidade na selecção.

E a ultima lesão que tiveste, já na Juventus, teve alguma ligação com lesões anteriores?

A primeira vez que me operaram, em Barcelona, foi de uma forma diferente e ao suturarem o tendão rotuliano deixaram-me um buraco muito grande, depois tive sempre problemas. Nas outras duas vezes parti a rótula, ficou frágil e sempre que fazia tracção, não aguentava a força. A partir daí estive em sofrimento, recuperei rápido da primeira vez, voltei a jogar sem stress, mas depois quando comecei a partir a rótula constantemente, percebi que ia ter graves problemas com o joelho.

Fotografia - Bernardo Coelho

Inclusivamente no dia-a-dia?

Se estiver muito tempo em pé sinto um desconforto, mas já não é como antes. Claro que os quilinhos a mais também não ajudam, mas é um problema que é para a vida toda.

Ainda tentaste regressar ao futebol.

Sim, não cheguei a ir a Toronto, embora na Wikipedia diga que sim. Estive dez dias em Málaga, só que o treinador optou por inscrever um jogador mais jovem, que achava que podia ter condições para o plantel, como eu vinha de lesão e não tinha ritmo competitivo ele não arriscou. Fiquei com mágoa, se conseguisse fazer aquele ano no Málaga, devagarinho, ganhava ritmo outra vez e as coisas podiam acontecer. Não foi assim e depois vi que os contratos que estavam a aparecer não eram motivadores nem compensadores e preferi deixar de jogar. Foi uma decisão que custou a tomar, mas foi a certa, visto que já tinha perdido o ritmo de jogo.

Então e de onde vem essa história de Toronto?

Eles queriam que fosse fazer provas em Janeiro, mas não fui, comecei a tirar os cursos de treinador.

Voltando à Juventus, o que é que aconteceu à Serie A para baixar tanto o nível na última década?

O estilo de jogo manteve-se muito em busca do resultado, têm os melhores avançados do mundo, muitos estão lá, mas é difícil triunfar contra muralhas. A forma de jogar é muito defensiva, na selecção conseguem resultados, foram campeões do mundo, mas em termos de clubes, a jogar fora só o Inter do Mourinho é que conseguiu mostrar uma forma diferente, de resto o futebol tem sido sempre o mesmo. Para mim, se quando saí do Porto fosse logo para Itália teria sido melhor, porque o defesa está sempre com muita ajuda, os médios jogam muito perto, se calhar conseguia durar dez anos ali facilmente, a forma de jogar ajuda o defesa a não se desgastar tanto. Em Espanha não, tinha de correr mais e andar homem a homem com avançados potentes. Em Itália, mesmo com as operações, no pouco tempo em que lá estive consegui sempre resolver os problemas sem muitas dificuldades.

Achas que os miúdos hoje em dia ainda sonham ir para Itália, ou é alternativa se não conseguirem ir para Espanha ou Inglaterra?

Hoje acho que é mais Barça, Real Madrid, e depois Inglaterra. Acho que nem França nem Itália.

Voltando ao Atlético, receberam um jogador emprestado pelo Bolonha, como é que isso aconteceu?

O Atlético com a SAD transformou--se num clube internacional, e recebe jogadores de todo o lado, temos internacionais pelo Paraguai, pela Guatemala. É estranho ter uma equipa de Segunda Liga com tantos jogadores a chegar de fora, tem que ver com as relações internacionais que a SAD tem, mas é bom para o campeonato, que começa a receber melhores jogadores. Espero que se adaptem rapidamente a esta realidade, para poderem ajudar a equipa.

Nos últimos dois anos salvaram-se da descida na secretaria, este ano vai dar para mais?

É complicado o clube estar nessa situação, este ano tivemos um bom arranque, vamos ver, esperemos que à terceira não seja preciso ajuda de ninguém. É complicado, porque é uma liga com muitas equipas, são muitos jogos, mas vai correr bem.

Mudar de cidade ou país quando se é futebolista torna-se mais fácil ou o dinheiro nem sempre traz felicidade?

É mais fácil, o dinheiro ajuda muito, um emigrante tem de se conformar com o que houver, enquanto nós somos ajudados em muitas situações. Mas a adaptação ao princípio custa.

A Galiza é mais parecida com Portugal, sentiste muita diferença quando foste para Itália?

Custou mais porque é longe, se precisarmos de alguma coisa que esteja em Portugal demora mais tempo e não se pode levar tudo, em Espanha até móveis levei, em cinco horas estávamos lá. Custou um pouco mais, mas somos emigrantes de luxo.

Jogaste ao lado do Cristiano Ronaldo e contra o Messi, dava para perceber no que se iam tornar?

Quando o Messi começou ia para o banco muitas vezes, mas o Deco jogava com ele e dizia que ia ser um grande jogador. O Ronaldo nós fomos vendo crescer, ao princípio o jogo dele parecia muito mais individualista, mas hoje passou a ser muito eficaz e goleador, tem um rendimento espetacular. Mas não é qualquer um que chega com 19 anos e faz golos, fez contra a Grécia, Holanda, marcou penalties. Tinha já qualquer coisa de especial mas não íamos saber que passados dez ou onze anos iam ser só eles os dois a dominar as Bolas de Ouro. Estão de parabéns porque trabalharam para isso e estão em grande nível.

Fotografia - Bernardo Coelho

Com eles ainda nessa fase inicial, quem era o jogador que quando jogavas mais te enchia as medidas?

Na selecção era o Figo, em termos de responsabilidade, quando precisávamos que alguém desbloqueasse alguma coisa, passávamos a bola ao Figo e as coisas resultavam, mudava o ritmo de jogo, conseguia também ser importante em zonas de finalização e era o jogador de referência, o capitão. Nas outras equipas tive vários jogadores com quem gostei de jogar, mas claro que agradeço sempre aos colegas da minha posição, na selecção gostei muito de jogar com o Ricardo Carvalho, no Estrela com o Rebelo, no Porto com o Jorge Costa e o Aloísio, no Corunha com o Naybet e o Donato, foram jogadores que me ajudaram.

E quem é que te impressionava fora da tua equipa?

Em Espanha o Ronaldinho era o melhor, o mais alegre, com muita força, na altura era o jogador que mais me impressionava, o Barcelona não estava muito bem e ele conseguiu levar a equipa para a frente.

E em criança, os teus ídolos eram avançados?

O meu pai punha muitas cassetes do Pelé e do Eusébio, Eusébio, sempre Eusébio, eram aquelas pessoas que seguia, tive a sorte de ver esses vídeos, de ver o Figo, jogar com o Ronaldo, ou seja, todos os grandes portugueses e depois todas as gerações que estavam à volta desses jogadores. À volta do Eusébio estavam muitos jogadores fantásticos, à volta do Figo foi uma geração de ouro, à volta do Ronaldo não tantos, mas ele é fora de série.

Existia algum avançado que te fazia dormir pouco na véspera de o defrontares?

Curiosamente joguei contra os melhores avançados, Ruud van Nistelrooy, Ronaldo fenómeno, Eto’o, mas aquele que mais irritava era o Jardel, porque mesmo estando a nossa defesa a fazer um grande jogo, bastava uma bola má e ele conseguia fazer golo de uma forma estranha. Tinha movimentos diferentes dos avançados normais e irritava mesmo, porque não havia uma fórmula para o defender, às vezes a forma como ele atacava a bola parecia atabalhoada e de cabeça era o melhor, foi o avançado que mais me irritou. Quando jogava no Estrela da Amadora sofremos um golo em que eu choco com o Tiago e a bola ficou à mercê do Jardel, é mesmo golo à Jardel...

E em casa com o que é que te entreténs além do futebol?

Tenho o vício da PlayStation, gosto muito. Com os meus filhos, sempre que temos tempo é pegar numa bola e ir para a rua jogar. Também gosto de ver novelas. E reúno os amigos na casa dos meus pais, na Amadora, aí sou eu que ponho a mesa, ajudo a minha mãe, só cozinhar é que não, sou bom é para comer.

Conta-nos uma coisa que pouca gente saiba.

Dispensaram-me com 15 anos, porque era baixinho. Fui do Estrela da Amadora para o Real Massamá e foi uma coisa que me marcou na altura, era por não ter altura e não ter corpo, não dependia de mim. Foi um ano e fez-me pensar que a partir daí nunca mais podia ser dispensado por ninguém. E as coisas correram bem, aquilo deu-me força para aguentar e superar muito trauma, muitas dificuldades.

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