01 - Este nome artístico é para toda a vida?

Não posso prever o futuro, mas conto com isso, já me apeguei. Estou há tanto tempo com ele que não me vejo a mudar.

02 - Chateia-te o rótulo de filho do Paulo de Carvalho e da Helena Isabel?

Tem graça, já faço música há um tempinho e graças a Deus, através de YouTubes e isso consegui criar uma base de fãs, mas agora é que estou a começar a aparecer para o mercado um bocadinho mais mainstream. Só para aí de há dois anos para cá é que estou a levar com isso, e não, não é nada que me incomode.

03 - Começaste a gravar músicas aos 12 anos, já sabias o que querias da vida?

Não, obviamente que queria estar ligado à música de qualquer maneira, não sabia se era só como produtor, se também a cantar. Uma coisa que me dá muito prazer é fazer canções e produzir instrumentais, estar no estúdio, sou muito bichinho de laboratório. Mas ninguém com 12 anos faz as coisas muito pensadas, faz porque gosta e quer experimentar, saber como é que é. Até me custa um bocado dizer que gravava músicas aos 12 anos, gravava maquetes, coincidiu com o aparecimento do YouTube e das redes sociais e sem pensar foram lá parar. Se calhar hoje em dia pensava um bocadinho, se ponho ou não ponho, mas contribuiu para chegar onde estou, portanto não me arrependo.

04 - Disseste que já ofereceste mais de 300 músicas. Consegues viver só disto, ou tens outros talentos escondidos?

Tenho conseguido viver só disto, mas não faço só Agir. Agora falando na terceira pessoa pareço o Cristiano. [risos] O Agir não é só cantor, não é só da parte dos concertos que ganho dinheiro. Faço produção, componho para outros artistas. Quando não estou a trabalhar para mim, estou a fazer coisas para os outros, é um bocado por aí. Cerca de 90% do trabalho que faço a compor é num laptop, não tenho aquela coisa de precisar de estar num estúdio.

05 - Sabes quantas tatuagens tens?

Epá, já foi para aí há quatro anos que contei pela última vez, ia em 31, portanto agora não te consigo dizer. Mas o objectivo é que seja só uma, é para isso que estamos a trabalhar.

Fotografia - Bernardo Coelho

06 - És reconhecido no supermercado?

Tem aumentado um bocadinho. O facto deste último disco estar a ser trabalhado duma maneira, não sei se mainstream é a palavra certa, mas a tentar chegar a mais pessoas, reconheço que há cada vez mais gente a saber quem sou, ou pelo menos a olhar para mim, “já vi este gajo em algum lado”. Mas é principalmente um público mais jovem.

07 - Para a parte criativa, estar sóbrio ou não vai dar ao mesmo?

Vai, porque estou sóbrio há sete anos, não há maluquices na minha vida. Há uma coisa que cheguei à conclusão, falando puro e duro, não há nada que me dê mais moca do que música e estar contente a fazê-la.

08 - E quando estás prestes a subir ao palco, és um tipo tranquilo ou ainda te dá a volta ao estômago?

Fico nervoso com aspetos técnicos, sou quase mais manager de mim próprio do que apenas cantor, quero sempre saber quantos bilhetes se venderam, estou mais naquela do workaholic que sou, do que realmente do “ai estou tão nervoso para cantar”, percebes? Em datas importantes, passado uma semana, como não fico nervoso começo a ficar doente, o corpo ressente-se sempre.

09 - Já tiveste vontade de fugir de palco?

Não, graças a Deus. Tenho um concerto que é bastante energético, tem uma ou duas baladas e o resto é tudo a abrir. Às vezes o público fica a olhar com um ar que nem sabe o que há de fazer, eu digo “saltem” e eles estão parados. Quando é assim, acho que a malta não está a curtir, começo a passar-me e a cortar músicas. Depois chego à conclusão que estão, mas nem toda a gente curte da mesma maneira, há malta que curte aos saltos e outros a ver o que estou a fazer. No final vêm-me pedir autógrafos e dizem que foi a melhor noite das vida deles.

10 - Ouvimos debater frequentemente se o sexo antes do desporto é prejudicial ou benéfico. E antes de um concerto?

Acho que não altera nada, portanto até pode ser benéfico.

11 - Manias de artista, tens alguma?

Não, a única coisa que faço antes de entrar em palco, mas acho que nem pode ser considerado uma mania, é apertar os ténis bem apertados, com força, porque vou saltar de um lado para o outro.

12 - Fazias uma colaboração por interesse?

Que não gostasse mesmo, não. Agora claro que há uma gestão de carreira, às vezes nem é se faço ou não faço, a maioria das pessoas com quem fiz participações são minhas amigas, tem mais até que ver com conciliar as datas em que vão lançar as coisas delas e eu as minhas.

13 - Ainda se fazem recortes de imprensa na era digital?

A minha mãe guarda-me bastantes coisas. A mim ajuda-me o facto de os telemóveis hoje em dia terem câmaras fotográficas, porque não sou uma pessoa muito saudosista, acho que a vida é feita a andar para a frente. Mas tenho a certeza que daqui a uns anos vou olhar para trás e ver as fotos todas e vai saber-me bem.

14 - Quando participaste pela primeira vez no Festival da Canção, há oito anos, não receaste que fosse visto como uma coisa foleira?

Quem olha para mim percebe que não tenho muito medo do que é que pode ser ou não ser foleiro, ou do que é que pode ou não parecer bem. Não podemos ligar só à moda, temos de ligar ao que nos faz mexer cá dentro um bocadinho.

15 - Na fase em que estás ainda se têm ídolos?

Não costumo ter ídolos, claro que há uma pessoa ou outra com quem gostaria de trabalhar, mas não sou de ficar muito entusiasmado, é um ser humano igual a mim, tem é mais ou menos talento. Se calhar gostava de ir jantar fora com a pessoa ou de ir para o estúdio ter uma conversa, agora era incapaz de pedir um autógrafo a alguém. O tempo dos heróis já acabou, as coisas agora são um bocado efémeras, gostam durante um ano ou dois, depois passa e vem outro.

16 - Como é que viste o nascimento de um movimento político com o teu nome?

Tem sempre graça, obviamente que o meu Facebook pessoal ficou bombardeado com as publicações disso, tive pessoas a falar bem e a falar mal, mas não me pronuncio muito, tem a graça que tem, ponto.

17 - Em relação a leis, aceitas que tomem decisões por ti e lidas bem com elas?

Foco-me muito no meu trabalho e acho que se toda a gente for um bocadinho de nada egoísta e quiser ser o melhor na sua área, ou pelo menos desenvolver melhor aquilo de que é capaz, tudo começa a correr melhor. Não sou de me ficar a queixar, já sei que os impostos aumentam, que há problemas aqui e aqui, mas o meu foco é como é que vou estar bem a nível financeiro e pessoal. A vida é muito mais do que ser rico, mas as pessoas perdem muito tempo a queixar-se, acho que é tempo que podia estar a ganhar dinheiro.

18 - E já te habituaste à ideia de estar a chegar aos trinta?

Pois é, se bem que dizem que os trinta são os novos vinte e não estou assim com um ar muito acabado. Enquanto não me começar a aparecer aquela dorzinha, nos concertos não conseguir correr tanto como corria há uns tempos ou a voz não funcionar da mesma maneira, acho que nunca noto que estou a chegar seja a que idade for.

19 - Onde é que te vês daqui a vinte anos?

Ambiciono bastante ter uma carreira internacional, aliás, o objectivo neste momento é conseguir que isto corra muito bem aqui, para estar bem financeiramente e poder ir, sei lá, um aninho ou dois lá para fora, sem nunca me esquecer daqui, obviamente. Hoje em dia já nem é preciso ires morar para um sítio, basta ires lá de vez em quando. Para viver, não há melhor que Portugal. E nem sei se será a cantar, poderá ser a produzir e coisas assim.

20 - Quem é que queres que te leve a sério? E já levam?

A pouco e pouco, com o trabalho que temos, com a minha agência e editora, acho que cada vez mais se está a ouvir falar um bocadinho de mim e da melhor maneira. Tenho um nicho de mercado de pessoas que me seguem há muito tempo, mas depois há uma data de gente que ainda não sabe quem sou. Leva-me a Sério é mais para as pessoas que não sabem o que é Agir, para irem tentar perceber o que é, porque ninguém consegue levar a sério uma coisa que não conhece, é mais por aí.

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