E é mesmo por ele que temos de começar. Aos 33 anos, depois de se ter estreado na NBA em 2003, LeBron James muda-se pela primeira vez para a conferência Oeste, o que logo à partida abre um novo mundo de possibilidades para Boston Celtics, Toronto Raptors ou Philadelphia 76ers. Isto porque LeBron esteve presente nas últimas oito finais da NBA e como só lá chega uma equipa de cada conferência, isto significa que desde 2011 todos fomos percebendo que por melhores épocas que fizessem, quando começavam os playoffs a história era a mesma: ele metia o turbo e vencia a sua conferência. Isto começou a ter um efeito devastador nos adversários, como foi o caso dos Toronto Raptors, que mesmo chegando a ficar acima de Cleveland na época regular, nas últimas duas temporadas foram cilindrados por 4-0 pelo colectivo liderado por LeBron.

Esta época isso não poderá acontecer, o que faz com que exista todo um novo interesse naquela que tem sido de há uns bons anos para cá a conferência mais fraca da NBA. Os Raptors aproveitaram para tentar limpar de vez esse problema em parte psicológico, despedindo o treinador Dwane Casey, mas a mudança de filosofia até poderá nem ser assim tanta, pois o lugar foi preenchido por Nick Nurse, que era adjunto de Casey. E onde os canadianos viram um problema, os Detroit Pistons, depois de falharem os playoffs pela segunda época consecutiva, viram uma oportunidade, despedindo Stan Van Gundy para contratar esse mesmo Dwane Casey, que assim se mantém pelo Este.

As mudanças nesta conferência a nível de jogadores também foram consideráveis, com principal destaque para Kawhi Leonard, que depois de lesionado durante praticamente um ano e sem vontade de renovar o contrato com os Spurs, se viu obrigado a ir para Toronto, o que fez com que Demar DeRozan, uma das estrelas dos Raptors, fizesse o caminho inverso para San Antonio. Ao Canadá chega também Greg Monroe, o que faz com que a equipa esteja ainda mais forte num ano de tudo ou nada, pois não têm garantias de que Kawhi continue por lá. Mas nunca se sabe, também era crença generalizada que Oklahoma era apenas um ponto de paragem para um Paul George a caminho dos Lakers e a verdade é que preferiu continuar nos Thunder.

Mesmo assim, poderá não ser suficiente para levar os Toronto Raptors à final da NBA, pois os Boston Celtics, além do excelente treinador, mantêm o núcleo, reforçado pelo regresso à actividade de Gordon Hayward, que depois de um excelente desempenho nos Utah Jazz se lesionou na estreia na NBA pelos Celtics, perdendo toda a época.
E depois ainda temos os 76ers, onde o processo de começar do zero hoje os torna cada vez mais candidatos, à medida que os talentos que foram pescando no draft vão ganhando experiência. Também não será de esquecer os Indiana Pacers, que com Victor Oladipo, Myles Turner e Tyreke Evans vão fazer estragos sérios.

Destacam-se ainda no Este transferências como a de Dwight Howard para os Wizards, Kenneth Faried para Brooklyn, mudando de equipa após sete anos em Denver, quase o inverso de Jeremy Lin, que passa a vida a mudar de camisola, chegando agora aos Atlanta Hawks, onde encontrará Vince Carter, que aos 41 anos continua com vontade de afundar. Outro veterano que muda de equipa, este após 17 épocas nos Spurs (de onde também se retirou o eterno Manu Ginóbili), é Tony Parker, que aos 36 anos assinou pelos Hornets (e vai ser tão estranho vê-lo com outras cores). Já nos Bulls, Jabari Parker é a nova esperança para uma época decente, enquanto que os Cavaliers renovaram com Love, optando por não entrarem já em modo de reconstrução. E os Heat não fizeram nada, naquela que ficará provavelmente conhecida com a temporada de despedida de Wade.

No Oeste, Carmelo Anthony acabou nos Rockets, após um acordo entre três equipas que fez com que, entre outras mudanças, Dennis Schröder chegasse a Oklahoma, onde também aterrou Nerlens Noel. E DeAndre Jordan finalmente chegou a Dallas, para onde já tinha concordado sair em 2015, para depois ser convencido pelos Clippers a abortar a transferência. Pelos vistos era mesmo o destino e agora nem está nada mal servido de colegas nos Mavericks, pois além de ainda ir partilhar o balneário com a estrela Dirk Nowitzki, vinte anos depois depois de o alemão ter chegado à liga e também a Dallas, encontrou ainda outra novidade: Luka Doncic, um prodígio de 19 anos que chega à NBA como campeão europeu de selecções, pela Eslovénia, e de clubes, pelo Real Madrid. Na Euroliga foi mesmo eleito MVP, mais um dos prémios que tem acumulado desde que chegou a Madrid aos 13 anos e que fazem dele um dos estrangeiros com mais potencial de que há memória. E quem também entra na história é Igor Kokoskov, o treinador sérvio que o orientou na selecção eslovena. Após ter passado como adjunto por seis equipas da NBA, ao assinar pelos Phoenix Suns torna-se o primeiro treinador principal em 73 anos de liga a ter nascido e sido criado fora dos Estados Unidos.

Já LeBron encontra-se numa espécie de ano zero nos Lakers, já que os outros reforços imediatos são Rondo, JaValle McGee, Michael Beasley ou Lance Stephenson, nomes conhecidos mas longe de ser as super-estrelas que se desejam em LA. A política dos Lakers deverá ser esperar para tentar agarrar pelo menos um dos talentos que ficam livres no próximo Verão, como Klay Thompson, Kemba Walker ou Cousins. O problema é que não estão sozinhos, pois Knicks, Clippers e outros também vão ter bastante dinheiro disponível por essa altura, pelo que podem vir a existir dólares a mais e super-estrelas disponíveis a menos. LeBron e Los Angeles devem ser suficientes para seduzir reforços e construir um candidato ao título de 2020, tentando por agora criar hábitos de vitória nos jovens e chegar aos playoffs, algo que os Lakers já não conseguem desde 2013.

Em relação aos campeões, os Golden State Warriors vão em busca do terceiro título consecutivo, que seria o quarto em cinco anos, e ainda conseguiram fazer uma melhoria no seu plantel. Tudo bem que está lesionado e só deverá voltar lá para a pausa dos All-Stars, mas se tudo correr bem DeMarcus Cousins terá tempo suficiente para ganhar ritmo até aos playoffs. Aceitou um contrato baixíssimo, de apenas um ano, para jogar pelos campeões, e nesse curto período vai ter de provar o que vale depois da lesão, para abrir o apetite a quem lhe quiser pagar uma fortuna na próxima época, o que pode ser positivo ou problemático, pela necessidade de protagonismo numa equipa recheada de outros All-Stars.

Esta será a última temporada dos campeões na Oracle Arena, em Oakland, antes de se mudarem para o novo Chase Center, em San Francisco, cidade do outro lado do rio, de onde tinham saído em 1966, para o Oracle. O pavilhão mais antigo da NBA passará então a ser o dos Minnesota Timberwolves, inaugurado em 1990, isto se ignorarmos o Madison Square Garden, que apesar de ser de 1968 foi totalmente renovado já nesta década. E já que falamos de pavilhões, quem também tem um novo são os Milwaukee Bucks, após vinte anos no Bradley Center.

Em relação às regras, a principal mudança é a redução do tempo de ataque após um ressalto ofensivo, que diminui de 24 para 14 segundos, medida que terá certamente impacto no estilo de jogo das equipas, em mais uma temporada que se espera fantástica, sem esquecer que uma lesão pode mudar tudo, enfraquecendo drasticamente um candidato ao título, como aconteceu aos Rockets na época passada, quando faltou Chris Paul num jogo decisivo.

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