Umas vezes substitui-se um dos melhores jogadores da história do clube por outro ainda mais eficaz, noutras os tiros vão todos ao lado e nenhum dos novos se aproveita. Numa fase tão prematura, nada como analisar a opinião de quem os conhecia bem nos clubes anteriores: os editores das bases de dados de FIFA e PES.

Ilustração - Tiago Lopes

Se à partida pode parecer algo estranho pegar num produto de entretenimento para tentar perceber o que poderá ser o mundo real, convém recordar que, tal como a maioria das áreas ligadas ao futebol, também nesta as coisas mudaram radicalmente nos últimos anos. Estamos a falar de videojogos que são actualizados semanalmente, com os jogadores a serem observados em cada jogo, durante épocas a fio. Usando os dois consegue-se uma visão ainda mais detalhada dos craques que acabam de chegar ao futebol nacional, com a vantagem de estarmos ainda a pegar nos dados que encerraram a temporada passada, quando quem os avaliou estava longe de saber se vinham para Porto, Benfica ou Sporting – mais imparcial era difícil.

E começando pela baliza, cedo confirmamos que tal como é habitual, as coisas dependem da perspectiva do observador. Falamos neste caso de Emiliano Viviano, internacional italiano por seis vezes, mas que vinha gordo, ganha muito e também ainda ajudou ele próprio à festa, oferecendo um golo na estreia em Alvalade. O certo é que, logo para a posição crítica de Rui Patrício, o mais cotado a sair do campeonato nacional neste defeso segundo FIFA e PES, entra também a melhor contratação dos três grandes, de acordo com ambos os videojogos. No FIFA falamos de uma troca por troca, pois tanto Patrício como Viviano têm uma média de 83 valores, enquanto que para a Konami, Viviano fica um valor abaixo dos 82 com quem avaliam o guardião da nossa selecção. Na prática, pode tratar-se simplesmente de desconhecimento lusitano sobre o real valor do guardião, pelo menor mediatismo que a Série A tem tido nos anos anteriores à chegada de CR7. E quem achar o contrário, que Viviano está nivelado com Patrício apenas porque jogava em Itália, pode analisar o exemplo de Sirigu, titular do Torino, que ficou exactamente com os mesmos pontos na última temporada que a Sampdoria, defendida por Viviano: o antigo jogador do PSG perde para o novo jogador do Sporting por três pontos em FIFA e por quatro em PES.

Era bom que a maioria dos restantes viesse assim bem cotada dos seus clubes anteriores, mas na maioria das vezes não é o caso. Uma das excepções é Nani, que continua perto do nível dos melhores que são vendidos pelos nossos três grandes, o que faz dele ainda uma estrela na nossa liga, com 81 em ambos os jogos, não muito diferente do valor de Gelson Martins.

O médio Stefano Sturaro (76 no FIFA/77 no PES), que chega cedido pela Juventus, apesar de não ser exactamente para a mesma posição de William Carvalho, está uns furos abaixo da cotação do português (83/81), tal como acontece com Nemanja Gudelj (75/77), sérvio chegado da China. A situação repete-se nas trocas de Fábio Coentrão (79/75) por Jefferson (77/73) ou Piccini (78/75) por Bruno Gaspar (73/75), apesar de vir da Fiorentina.
Já no ataque, as opções também aumentaram com a competição a decorrer. Abdoulay Diaby, contratado ao Club Brugge, com 75 no FIFA e 69 no PES não promete muito em relação a Montero (76/77) ou Doumbia (77 em ambos), mas apresenta uma arma que o pode tornar importante: é extremamente rápido, acima de 90 nos índices relativos à velocidade.

Aproveitamos desde já para referir que o prazer de ler esta edição em papel tem um preço: a revista foi para impressão no fim-de-semana do Benfica-Sporting, por isso tudo o que aconteceu na última semana do mercado fica fora da análise. Pode ser que para o ano já se siga o exemplo da Premier League e o mercado feche quando começa a competição.


Do outro lado da Segunda Circular as substituições aparentemente terão sido feitas de forma adequada. No ataque saiu Raúl Jiménez (77 no FIFA/79 no PES) e entraram Facundo Ferreyra (77/76) e Nicolás Castillo (76/76). Para a defesa chegaram dois centrais argentinos que também andam pelos setentas de média, Germán Conti e Cristián Lema, sendo que para já deverão ter tempo para uma adaptação ao nosso futebol, assistindo aos desempenhos em campo de Jardel e Rúben Dias.

Já na lateral direita é que as coisas começaram por ser mais complicadas, pois após a devolução de Douglas (69/73), o Benfica foi reforçar-se com alguém que para a EA Sports e Konami ainda seria pior: Tyronne Ebuehi (66/70), que veio do Den Haag e após participar no Mundial pela Nigéria se viria a lesionar com gravidade no início da pré-temporada pelo clube da Luz. Isto fez com que o Benfica voltasse a ir ao mercado, desta vez para aparentemente acertar em cheio, com o francês Corchia, que chega emprestado pelo Sevilha. Com 77 no FIFA e 78 no PES, trata-se do reforço mais forte do Benfica neste defeso, pela óptica de ambos os videojogos.

Na baliza é que as coisas não são tão famosas, pois apesar de efectivamente ser um pouco superior ao retirado Paulo Lopes, não se pode dizer que Odisseas Vlachodimos, com 73 e 74 de média, fosse muito apreciado pelo seu desempenho na Grécia. Na comparação com Bruno Varela fica atrás três valores no FIFA, merecendo nota igual à do português no PES.


Em relação ao FC Porto, os reforços são poucos e deixam a equipa ligeiramente mais fraca, especialmente na lateral direita, onde as saídas de Dalot e especialmente Ricardo Pereira deixam Maxi mal acompanhado na posição. Se João Pedro fica a 13 pontos de distância de Ricardo Pereira, Saidy Janko (69/64) ainda consegue ser pior, com o mundo dos videojogos a dar razão a Sérgio Conceição em nem dar um número para a camisola ao jogador contratado ao Saint-Étienne.

Já na posição de central, Mbemba e especialmente Éder Militão (mesmo assim mais cotado que Yordan Osorio) ficam uns valores abaixo de Marcano, que sai do FCP com uns imponentes 81 e 80, com o antigo jogador do Newcastle a ficar por uns respeitáveis 75/77, o que até faz compreender se a aposta em Diogo Leite for para manter.

Em relação a Marius, o avançado do Chade jogava nos Camarões e não há videojogo que o fizesse aparecer no radar, só mesmo as novas edições de FIFA e Pro Evolution Soccer, que este ano ficou disponível ainda mais cedo, a 30 de Agosto, contando com a Liga NOS totalmente licenciada e o regresso do Estádio José de Alvalade.

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