Claro que o facto de isto ser uma crónica nova no ínicio do ano não foi um simples acaso, senti que era altura de começar a deixar mais de mim nesta página que perde tanto de popularidade face a outras páginas com seios firmes e apetitosos lá expostos; senti que era chegada a altura de vos dar a perceber o porquê de eu estar solteiro; senti que era o momento certo para vos dizer tudo aquilo que me deixa sem reacção na vida, seja por bons motivos, seja por ser uma música da Maria Leal lançada na época natalícia (sim, foi um golpe de Grinch).

Por isso e como eu ainda pouco consigo aguentar a nível de luzes e barulhos devido à quantidade de bolachas e canecas com leite que meti no bucho na passagem de ano, deixem-me contar-vos a história de como eu fiquei sem reacção com a casa onde eu passei a minha PDA com os meus amigos.

Primeiro foi uma casa arranjada às 3 pancadas numa plataforma online cujo nome não posso revelar de forma a impedir que hajam stresses legais de alguma das partes, mas posso dizer que o nome, composto por 3 letras, faz lembrar alguém a chamar Lisboa, mas em abreviatura. O valor, após ser um tópico muito abordado no café que tivemos umas semanas antes para decidirmos tudo, foi respeitado no que toca à casa em si, mas ignorado no que toca ao álcool que foi comprado, uma quantia que dava, em média, dois litros de álcool para cada um. PARA CADA UM DOS 3 DIAS DA PDA! (sim, parece que estou com uma mania com o número 3 hoje).

Mas isto é apenas o mote do que me deixou sem reacção. Nos últimos anos passei sempre a meia-noite em relação, ou, mesmo quando não estava numa relação, passei a meia-noite com a pessoa que viria a tornar-se a minha namorada que me acompanhou durante dois anos, por isso estava habituado a ter um corpo quente para abraçar quando o fogo de artifício fizesse no ar o mesmo que o Ronaldo fez no rabo da americana. Mas desta vez foi diferente.

Além de eu não ter ninguém com quem fazer casal, só nesse momento me apercebi que era o único que estava sem ninguém perto para dar um beijo apaixonado e desejar um bom ano. Custou. Mas não durou muito tempo.

A noite passou-se, fez-se bem, acabámos com todo o álcool que deixámos acumular durante os dias anteriores e o pessoal começou a ficar demasiado bêbado. Agora é que isto fica giro, porque os bêbados são engraçados e todos nós achamos isso, exceptuando se for o nosso/nossa cônjuge. A minha PDA deixou rapidamente de ser uma casa onde amigos festejavam a entrar num novo ano, para ser uma sessão de grupo de terapia de choque para alcoólicos anônimos, onde nenhum dos embriagados admitia que estava com uns copos a mais e nenhum elemento da equipa ‘sóbrios e chatos’ conseguia perceber que era uma discussão que não ia levar a lado nenhum.

Dei por mim, bêbado, sozinho e sem ninguém a chatear-me por ter bebido demasiado... depois percebi que estava sem ninguém a chatear-me por ter bebido demasiado! Levantei-me, enchi pela última vez o copo e tentei brindar com todos os bêbados que estavam a discutir por o estarem, foi lindo, parecia que tinha mandado gasolina para um incêndio. Depois fui dormir.

No dia seguinte, todos estávamos com dor de cabeça, todos estávamos com mau aspecto, mas fico feliz por saber que não fui o único a não f0d3r.

SEJAM FELIZES FAÇAM COMO O REI.

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Rúben Branco
Rúben Branco
Sou o Rúben Branco, comediante desde 2015, sou de Lisboa mas ando um pouco pelo país todo a fazer alguns espetáculos. Queres saber como podemos falar sobre espetáculos, gravações ou um jantar a dois porque te sentes desacompanhado? Envia-me um mail! #RubenBranco123 Abraço.