Bob, cujo nome verdadeiro é António Manuel Bobó da Silva, nasceu a 4 de Março de 1982 numa Loulé que estava prestes a explodir no mercado imobiliário e esse facto contribuiu em muito para o que iria ser o resto da sua vida.

Após o seu nascimento, e devido a problemas financeiros, nomeadamente dívidas de jogo contraídas no Bingo de Olhão, os pais do Bob - Jaime, “o Abusador Alcoólico” e Vera, “a Faço Bicos Por 2 Contos” - viram-se forçados a emigrar para França, onde permaneceram durante 12 anos, e onde viriam a conhecer a família Carreira. Muito pouca gente sabe disto, mas a música “Ai, destino” do Tony Carreira fala precisamente do caso que Vera e Tony mantiveram durante 4 anos e que terminou de forma trágica com a inexplicável morte de Vera, esmagada por uma trituradora na Fábrica de Enchidos onde o Tony trabalhava. Fernanda, a esposa de Tony Carreira na altura chegou a ser considerada suspeita, mas afirmou sempre de forma veemente que só tinha ido à fábrica naquele dia para ir buscar umas morcelas de arroz para trazer para Portugal nas férias. O caso foi arquivado pouco tempo depois.

Bob mostrou desde muito cedo uma apetência voraz para mexer em ferramentas. Com 5 anos de idade já tinha efectuado mais de 80 felácios, o que naturalmente o transformou num caso sério de popularidade entre os apresentadores portugueses de programas de entretenimento dos anos 80 e 90. Inicialmente estes felácios eram feitos a pedido do pai, que se justificava dizendo que a família precisava do dinheiro porque a mulher já não era a profissional de outrora, mas depois Bob começou a ganhar-lhe o gosto e habituou-se ao estilo de vida que aquele dinheiro fácil lhe proporcionava. Carros, miúdas, caixas de ferramentas banhadas em ouro de 24 quilates, tudo isto estava ao alcance de Bob, mas como em tantos outros casos semelhantes, o mundo da droga aliciou-o e ele não soube dizer que não. Uma das primeiras consequências da entrada da droga na vida do “Construtor”, foi o facto de Bob ter gravado, sob o efeito de cogumelos, um dueto com José Malhoa, que se aproveitou do nome de Bob, para alcançar sucesso junto das comunidades de emigrantes. Durante 3 anos, Bob gravou 4 discos, tendo vendido mais de 20 milhões de álbuns por todo o mundo, e tendo actuado com nomes tão ilustres como o Poupas, o Noddy e o pequeno Saúl. Não aguentando toda a pressão mediática que lhe pairava sobre os ombros e após algumas passagens menos sucedidas por clínicas de reabilitação, Bob decidiu por iniciativa própria, dar um novo rumo à sua vida e decidiu voltar para Portugal, onde começou a construir com as suas próprias mãos, uma pequena moradia em Loulé. Como ainda não estava totalmente livre das drogas, era normal Bob consumir alguns alucinogénios ao mesmo tempo que trabalhava na construção da sua habitação, e como tal, muitas vezes Bob envolvia-se em diálogos com os materiais de construção e com algumas máquinas, como era o caso da betoneira e da escavadora, que ele dizia serem os seus melhores amigos. Um dia, enquanto Bob cantarolava para uma grua, “eu sou o Bob, o construtor, eu sou o Bob, trabalhador”, um produtor americano que estava de férias no Algarve, passou pela obra, e ficou impressionado com o talento de Bob para a música e simultaneamente para a construção de pequenas habitações com materiais a preços reduzidos. Não demorou muito até que lhe apresentasse uma proposta para ser o protagonista da sua própria série de televisão, e embora tenha recusado inicialmente, Bob acabou por ceder e assinou o contrato que lhe viria a mudar a vida.

Bob, o Construtor, como ficou conhecido, tem hoje 32 anos, é feliz, rico, tem a vida com que sempre sonhou e apesar de já não consumir drogas, diz que a única coisa de que se arrepende na vida, foi não ter usado protecção quando se envolveu com a filha do amigo José Malhoa no final de um concerto em Newark, porque nunca mais se livrou do cheiro a azeite.

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Paulo Almeida
Paulo Almeida
Escritor de piadas. Monstro no palco.