Somos um grupo de onze e já não nos víamos há bué. Um amigo meu conta uma história de uma gaja que engatou no Tinder, uma amiga minha diz que as amigas de Erasmus estão cá para a semana e que são todas Giselle Bundchen para cima. No sentido em que tenho tantas hipóteses com elas como com a Giselle. Mais cerveja. A gaja do Tinder se calhar ainda aparece hoje.

Vamos para outro bar. Dois do grupo abandonam. Ficam nove. Já estamos quentinhos. Está uma mesa de mitras a jogar às setas. Não é a mesa que está a jogar, calma. É uma data de mitras, sentados numa mesa e levantam-se à vez para jogar. Estão no seu habitat natural, fazem aquele barulho clássico de mitra onde estalam a língua nos dentes e depois – “tajagozar? Foi triplo vinte tropa!” – Estão como querem. O Benfica ganhou e há gente que parece que tomou um feijão mágico. Mais cerveja. Duas amigas minhas já se estão a mamar na boca. Na minha cabeça. Na verdade estão a despedir-se e a dizer que vão para casa. Ficamos sete. Mais cerveja.

Vamos para um arraial. Compramos umas litrosas para o caminho. No caminho vemos duas prostitutas. Afinal as minhas amigas não foram para casa. Chegamos ao arraial. Mais bigodes que dentes. E nos homens também. O conjunto escolhido para animar a festa toca – “O teu corpo está no limão” – Uma quizomba-latina-urbano-transalpina-psicadélica-surrealista-pimba. Eu adoro. Pego numa velha e meto-a a fazer pack bundas. Ela corresponde com grande movimento de bacia. Twerkallicious. Os meus amigos bazaram e estou sozinho com a velha. Ela vai para cima de palco e pergunta ao conjunto se eles sabem tocar o “Single Ladies” em ré menos. Eu bazo. Vou buscar duas imperiais para não ir coxo.

Vou para a tenda eletrónica. Encontro dois amigos meus. Estão a falar com uma gorda e uma gaja que viemos a saber que tinha um problema de transpiração. Ela estava toda molhada, mas não da maneira que eles pretendiam. A gorda estava só ali a fazer de corta vento. A suores tem o cabelo agarrado à cara. Está tudo muito estranho, um senhor magrinho agarra num bidon e começa a gritar pelo Benfica. Leva porrada. Mais cerveja. Shots. Absinto. Gold Strike. Mais cerveja. Há uma miúda que tem namorado e está a olhar para mim. Na minha cabeça está a olhar para mim. Na realidade não é uma miúda e é uma coluna. Agarro-me à coluna. Estou a safar.

Vou para as roulottes. Comer é para gordos, ignoro a comida. Peço mais cerveja. Observo os despojos da noite como se eles não me observassem a mim como um despojo da noite. Começo a picar o senhor da roulotte a dizer que sou da ASAE. Levo dois socos. Socos suaves, que amanhã às quatro já há pouca cicatriz. Revelo, já no chão, que era brincadeira. Oferecem-me mais uma cerveja por pena. Bebo de penalti para provar masculinidade. Peço mais cerveja. Mais cerveja. Estou ao pé de dois camionistas e pergunto-lhes se são deputadas dos verdes. Levo nos cornos mais uma vez.

Chego a casa. Vomito. De certeza que foi por causa do pão-de-ló que comi depois de jantar.

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Pedro Durão
Pedro Durão
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