Suspiria

Estreia a 22 de Novembro

“A única coisa mais assustadora do que os 12 últimos minutos de filme são os primeiros 92”. Estas foram as palavras que promoveram em 1976 aquele que se viria a tornar um dos clássicos mais consagrados do terror europeu. O culpado foi o mestre Dario Argento, que condensou o surrealismo e a atmosfera gótica numa obra-prima. E é também pelas mãos de um italiano que é agora feito o regresso ao universo de Suspiria: Luca Guadagnino. Vencedor de um Óscar com Call Me By Your Name, o realizador decidiu não fazer um remake, mas sim uma homenagem sustentada numa espécie de tese sobre os limites do desconforto visual – e, consequentemente, psicológico. Uma jovem bailarina inscreve-se numa conhecida academia de dança na Europa, quando as trevas revelam a verdadeira natureza dos seus elementos. Grotesca e densa, esta recriação foi recebida com uma ovação em Veneza, por parte de um público extasiado sem perceber se realmente adorou ou se foi enfeitiçado pela astúcia de Guadagnino. O deslumbramento também é compreensível com o protagonismo de Dakota Johnson que, depois de A Bigger Splash, volta a reunir-se com Tilda Swinton no grande ecrã. Chloë Grace Moretz, Mia Goth e o contributo sonoro de Thom Yorke (Radiohead) são outros dos aperitivos, mas o melhor mesmo são os irresistíveis suspiros.

Viúvas

Estreia a 15 de Novembro

Passados cinco anos de 12 Anos Escravo, o realizador Steve McQueen está de regresso às longas-metragens e obviamente não facilitou, reunindo uma equipa de sucesso: em primeiro lugar, pegou no argumento de uma série dos anos oitenta, escrita pela também inglesa Lynda La Plante, para o qual requisitou a ajuda na adaptação de Gillian Flynn (Gone Girl). Depois conseguiu reunir Robert Duvall, Liam Neeson, Colin Farrell, Viola Davis, Michelle Rodriguez, Elizabeth Debicki e Cynthia Erivo, estas últimas as quatro viúvas que dão nome ao projecto. E a premissa até é simples: depois de os seus maridos terem sido mortos num golpe falhado, as viúvas pegam no plano deles para conseguirem pagar as dívidas que herdaram. A recepção está a ser tão boa que não será disparatado imaginar que as duas sequelas que tiveram lugar na TV inglesa (Widows II e She’s Out) também venham a ser adaptadas ao grande ecrã.

A rapariga apanhada na teia da aranha

Estreia a 08 de Novembro

Depois de Stieg Larsson ter falecido em 2004, deixando completa a trilogia Millennium (levada ao cinema na Suécia com a protagonista Noomi Rapace), um quarto livro foi publicado postumamente em 2015, escrito por David Lagercrantz: este que é agora adaptado ao cinema. Mantém Lisbeth Salander e Mikael Blomkvist como personagens principais, mas muita coisa mudou em relação à versão americana de Millennium. Neste soft reboot, David Fincher foi substituído na cadeira de realizador por Fede Alvarez (Nem Respires) e a hacker e o jornalista passaram a ser interpretados por Clare Foy (O Primeiro Homem na Lua) e Sverrir Gudnason (Borg vs. McEnroe). Depois deste capítulo em que Lisbeth está empenhada em vingar mulheres vítimas de violência, resta saber para onde tudo vai. Isto porque já existia o filme do primeiro livro (Os Homens Que Odeiam as Mulheres), agora temos este quarto também adaptado e entretanto já saiu um quinto, novamente escrito por Lagercrantz. É confuso, mas Lisbeth vale a pena.

Diamantino

Estreia a 15 de Novembro

Quando um filme sobre um futebolista se chama Diamantino e não é sobre o que jogou no Benfica, nada como parar, escutar e olhar. A aventura prometida é a seguinte: a maior estrela do futebol mundial acaba a carreira em desgraça, entrando numa odisseia delirante onde confronta o neo-fascismo, a crise de refugiados, modificação genética e a caça pela fonte da genialidade. Este é o mundo de Diamantino Matamouros, que por mais confuso que pareça, está a ser extremamente bem recebido por onde tem passado, como foi o caso de Cannes. Co-produção entre Portugal, França e Brasil, tem o português Carloto Cotta no papel principal e como facilmente se percebe pela imagem acima, o melhor é encará-lo de espírito aberto, sem tentar sequer saber muito sobre o que vai encontrar e apenas desfrutar da viagem, que promete ser delirante e quem sabe a roçar no absurdo, o que não tem necessariamente de ser negativo. Até pelo contrário.

Partilha isto: