THE HOUSE THAT JACK BUILT

Estreia a 03 de Janeiro

Esta é a história de um homem que desenvolve o seu carácter de serial killer. Jack relata os últimos 12 anos, através do retrato de “incidentes”. Temos o regresso do dinamarquês Lars Von Trier, a provocar as reacções que mais o fazem rejubilar: um público transtornado, com mais de 100 pessoas a abandonar a estreia em Cannes. Matt Dillon dá corpo ao autor dos crimes horríficos, exalando uma genialidade magnética. Ao longo de duas horas e meia, somos conduzidos pelos engenhos de Jack que, através de inúmeros subterfúgios filosóficos e surrealistas, contempla cada assassinato como uma obra de arte – e quer-nos arrastar nas suas crenças. A transbordar semiótica por todos os cantos, o filme deambula por referências bíblicas e históricas, na procura do arquétipo da perfeição. Entre dor e prazer, temos um American Psycho do auge da década de 70, que opera assassinatos sofisticados para atingir o chamado zénite – e, a bafejar toda esta densidade, está a escolha deliciosa da banda sonora com David Bowie a realçar o humor ácido latente. Uma Thurman é quem nos abre o apetite, a neta de Elvis Presley (Riley Keough) deixa-nos siderados e um casting peculiar é o do Hitler de Downfall (2004), o suíço Bruno Ganz. Apesar do gore e das cenas levadas a um realismo extremo, a violência maior reside no imediatismo da sua repulsa, através de um ritmo desconfortável em que cada morte respira lentamente. Uma tortura quase pornográfica, The House That Jack Built pisca o olho sem pudores a Antichrist, Nymphomaniac ou Melancholia, antigos trabalhos de Lars Von Trier, podendo este ser, num paralelismo com o protagonista, a conquista da sua obra-prima. Relativamente ao nome do filme… nada do que estiver a imaginar é impossível.

GLASS

Estreia a 17 de Janeiro

Um dos acontecimentos mais aguardados chega finalmente às salas. Depois de ser apenas revelado na cena final que Split (2016) era uma sequela de Unbreakable (2000), M. Night Shyamalan traz-nos Glass, o derradeiro capítulo. Não se pensa em universos partilhados nem em super-heróis quando se ouve o nome do realizador de thrillers clássicos como O Sexto Sentido. E por isso mesmo é que vai saber tão bem. David Dunn regressa no corpo de Bruce Willis e persegue A Besta – a temível 24ª personalidade de Kevin Wendell Crumb. James McAvoy tem uma entrega visceral na recriação deste transtorno dissociativo de identidade, sendo o principal responsável pela aura grotesca de um filme que navega no fantástico. A orquestrar todos estes encontros e mistérios está o sombrio Elijah Price, ou Mr. Glass para os amigos, que nos dá um Samuel L. Jackson a colar-nos ao ecrã como só ele sabe. Três narrativas cruzadas e três homens com poderes tão reais quanto eles é a equação perfeita para um par de horas de terror psicológico a romper as convenções do género.

VOX LUX

Estreia a 1O de Janeiro

Celeste é uma estrela fabricada por um produtor influente… e por um acidente. Em cada ameaça nasce uma oportunidade: depois de uma tragédia nacional, atingiu um sucesso estratosférico – e uma persona aguçadamente obstinada. 18 anos depois e com um escândalo às costas, regressa para uma digressão entre maternidade e holofotes. A pele de Celeste é vestida por Natalie Portman, que após o Óscar de melhor actriz com Cisne Negro, dá novamente um perigoso mergulho nas artes performativas, quase como uma segunda vida de loucura decadente. Numa crítica inteligente ao universo insípido da música pop (tendo curiosamente a cantora Sia composto a banda sonora), o realizador Brady Cobert divide o filme em três actos. Jude Law, Raffey Cassidy e Stacy Martin dão cor a Vox Lux, que promete uma epopeia espectacular e sombria.

CORREIO DE DROGA

Estreia a 13 de Janeiro

2018 foi um ano recheado para Clint Eastwood. Depois de 15:17 Destino Paris, realizou The Mule (Correio de Droga) que chega agora à Europa. Um agricultor de 90 anos e antigo soldado da Segunda Guerra Mundial é apanhado a transportar três milhões de dólares em cocaína para um cartel mexicano. Patético? Sim, seria provavelmente o seu filme menos credível se não fosse inspirado na história contada no New York Times de Leo Sharp, um veterano dos anos 80. Desde Gran Torino (2008) que Eastwood não protagonizava o seu próprio filme e, não sendo este o mais icónico, será certamente o mais arrojado. Um idoso que negligencia a família para se tornar uma mula de droga? Uma aventura drámatica coberta de ironia com Bradley Cooper e Andy García como cúmplices, celebrando os 40 filmes do eterno cowboy.

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