CLÍMAX

Estreia a 07 de Fevereiro

Um internato abandonado é invadido por um grupo de jovens bailarinos, para ensaiar freneticamente durante três dias. Numa das celebrações, a interacção entre os jovens sofre metamorfoses grotescas, após alguém contaminar as bebidas com LSD. Esta premissa ganha outros contornos quando sabemos quem é o verdadeiro culpado: Gaspar Noé. O realizador argentino volta a agitar as convenções cinematográficas, saciando as saudades sentidas depois do drama erótico Love (2015). Em Clímax, a nostalgia dos anos 90 é expelida quase de uma forma poética, onde comportamentos psicóticos convivem com o magnetismo libertino de uma floresta. Autor de uma das cenas de violação mais polémicas da sétima arte (Irreversível, 2002), Noé coloca novamente em perspectiva os conceitos de sexo e violência. Experiência imersiva é a sensação mais homogénea da maior parte dos filmes que assina, e Clímax não é excepção; se em Enter the Void (2009) estivemos quase 3 horas a dar pontapés na atmosfera através de uma viagem alucinogénica, aqui temos o transe provocado pelo descontrolo dos corpos projectados. E depois das musas Monica Bellucci, Paz de la Huerta e Aomi Muyock, é a protagonista argelina Sofia Boutella a convidá-lo para esta dança.

VICE

Estreia a 14 de Fevereiro

Dick Cheney ascendeu ao poder de forma silenciosa e à escala planetária. A sua influência ímpar no futuro dos Estados Unidos, e no mundo como o vemos hoje, é dissecada no grande ecrã por Adam McKay. A corrida aos Óscares já não é novidade para o cineasta, que ganhou a distinção de melhor argumento adaptado com A Queda de Wall Street (2016); Vice soma 8 nomeações para a cerimónia deste ano e tem como trunfo o mestre das transformações físicas: Christian Bale. Contrastando com a preparação para O Maquinista, o actor engordou 18 quilos para interpretar o vice-presidente de George W. Bush, que ao “desconstruir psicologicamente uma pessoa, voltando depois a reconstrui-la novamente”, conseguiu uma vez mais extasiar Adam McKay e o público. Amy Adams, Steve Carell e Sam Rockwell compõem o elenco, numa produção com o toque de Brad Pitt e Will Ferrell, resultando em prováveis subidas ao palco mais cobiçado da América – e ainda que a credibilidade da Academia seja muito suspeita, faça o seu juízo depois de ver este filme.

CICLO VIVA JOÃO CÉSAR MONTEIRO

Estreia a 17 de Fevereiro

“A criação é absoluta e absolutamente incómoda”, pregava César Monteiro num dos seus míticos manifestos. E é esse carácter subversivo da arte que enfatiza a relevância de uma homenagem a um dos gigantes do cinema de autor português. Eternamente à margem, João César Monteiro remou numa viagem pelo documental, pelo romance e pelo popular. Até hoje, a infame Branca de Neve mantém o seu culto – devido ao alegado casaco deixado na objectiva da câmara, em forma de protesto contra o parco financiamento de filmes em Portugal –, mas o legado do cineasta distribui-se por muitos outros marcos sublimes, como Recordações da Casa Amarela (1989) ou A Comédia de Deus (1995). E são algumas dessas pérolas que a distribuidora Leopardo Filmes irá exibir no Cinema Monumental até 20 de Fevereiro, sendo uma oportunidade valiosa para dar vida ao génio em sala.

TIRO E QUEDA

Estreia a 17 de Fevereiro

Dois amigos e 78 minutos de desastre: num bairro típico, Eddie (Eduardo Madeira) e Manecas (Manuel Marques) têm mais um dia de vida dupla, que os conduz a uma missão secreta em Viana do Castelo. Gabriela Barros e Carla Vasconcelos interpretam as respectivas esposas, que rasgam sem medos o desconhecido para descobrir tudo. Adaptado de uma peça de teatro homónima de Eduardo Madeira e Filipe Homem Fonseca, a realização ficou a cargo de Ramón de Los Santos – que nos dá uns laivos da dinâmica de Tóni e Zézé (Conversa da Treta) e uma tentativa do humor nonsense de Dumb and Dumber (1994). Leonel Vieira (O Pátio das Cantigas) produziu Tiro e Queda com o objectivo assumido de alimentar o cinema português e proporcionar risada fácil nos espectadores. Ainda tem uns dias para ver se esta missão foi cumprida.

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