Obrigado por tudo, Mr. Hefner

Por Playboy Portugal

28 de September de 2017

Hugh Marston Hefner nasceu há nove décadas em Chicago, a 9 de Abril de 1926. E felizmente conseguiu fazer do mundo um local melhor antes de nos deixar, através de um império a que deu o nome Playboy.

Filho de Protestantes conservadores, Hefner não passou de um estudante mediano, apesar de um QI de 152, ao nível dos génios. Distinguia-se antes pelas actividades extra-curriculares, fundando um jornal da escola, escrevendo, desenhando cartoons e sendo presidente da associação de estudantes.

Depois de terminar o liceu, em 1944, juntou-se ao exército, onde cumpriu funções administrativas e desenhou cartoons para vários jornais militares. Depois de dois anos de serviço, aproveitou o regresso à vida civil para se inscrever num curso de arte durante o Verão, obviamente de anatomia. Seguiu-se um bacharelato ao longo de dois anos e meio, período em que também desenhou cartoons para um jornal diário e editou uma revista universitária de humor, onde introduziu uma nova secção, intitulada “Universitária do mês”.

Em Junho de 1949 casou com Mildred Williams, uma colega de curso, relação que viria a durar dez anos e resultar em dois filhos: Christie, em 1952, e David, em 1955.

Depois da universidade, tentou vender, sem sucesso, as suas ideias para uma tira de BD, acabando por publicar um livro de cartoons satíricos sobre Chicago. De seguida teve dois empregos, por apenas 45 e 40 dólares semanais, até que finalmente conseguiu um salário prometedor, 60 dólares por semana para ser copywriter na Esquire. Mas quando a revista mudou os seus escritórios para Nova Iorque, Hefner pediu um aumento de cinco dólares, que foi recusado, fazendo com que decidisse manter-se em Chicago e criar uma revista sua.

Primeiro tentou obter fundos com um antigo colega, mas não teve sucesso. Mas enquanto trabalhava numa empresa de distribuição de revistas ficou convencido que existia um mercado para uma revista masculina sofisticada, que reflectisse a sua visão sobre a geração pós-guerra.

Para sustentar a família, aceitou um emprego com melhor salário, como director de circulação de uma revista infantil, mas entretanto o sonho de criar uma revista masculina tinha-se tornado uma obsessão. Encontrou uma gráfica que queria imprimir o primeiro número e uma distribuidora com vontade de o aceitar como cliente. Conseguiu que família e amigos investissem, mas juntou apenas oito mil dólares, incluindo um empréstimo bancário de seiscentos dólares, em que usou a mobília do seu apartamento como garantia.

O primeiro número da Playboy, com a agora célebre foto de Marilyn Monroe, foi criado na mesa da sua cozinha. Chegou às bancas em Dezembro de 1953, mas não tinha data na capa, pois Hefner temia não conseguir produzir outra. Vendas de mais de 50 mil cópias foram o suficiente para pagar o papel, a impressão e financiar o número seguinte. A partir daí continuou a investir os lucros na revista, contratando uma equipa jovem e entusiasta. No final da década já vendia mais de um milhão de cópias por mês, o que Hefner celebrou com o primeiro festival de jazz Playboy, com a actuação de lendas como Louis Armstrong e Ella Fitzgerald.

Na década seguinte, Hefner começou a viver o lado bom da vida que mostrava nas páginas da Playboy, em que se incluiu a aquisição da primeira Mansão, ainda em Chicago, cidade onde em 1960 foi também inaugurado o primeiro Playboy Club, que convidou o americano comum para o estilo de vida da Playboy, apresentando também outro ícone: a Bunny da Playboy.

A revista começou desde muito cedo a ter uma abordagem progressista, não só em relação à sexualidade, mas também à política e cultura, com especial ênfase para a literatura, publicando ícones como Ian Fleming, Gabriel García Márquez, ou Jack Kerouac. A entrevista da Playboy começou em 1962 e por ela passaram Miles Davis, Jimmy Carter, Muhammad Ali ou Martin Luther King.

Em 1971 dá-se a mudança para Los Angeles, com a aquisição da Playboy Mansion West, de onde Hefner conseguia seguir mais de perto o seu império. A nova Mansão, com os seus inúmeros quartos, passagens secretas e a célebre gruta, depressa fascina a atenção do público, como epicentro de festas cheias de Playmates e celebridades, tornando-se a jóia da coroa da marca, que viria a receber nomes como Sammy Davis Jr., os Beatles, Mick Jagger, Jim Carrey, George Clooney, Leonardo DiCaprio, Cameron Diaz, Charlize Theron, Gwyneth Paltrow, Britney Spears, Paris Hilton, entre muitos outros. No ano seguinte, o sucesso começa a alastrar-se pelo mundo, com o lançamento das primeiras edições internacionais da revista, na Alemanha e em Itália. Hefner nunca teve medo de arriscar, como voltou a acontecer em 1994, quando a Playboy se tornou a primeira revista americana a lançar o próprio website. Nem de dar um passo atrás para de seguida dar muitos em frente, como quando descobriu que os Clubes de Miami e Nova Orleães estavam a impedir a entrada de negros. Comprou-os rapidamente de volta, com uma considerável perda para a empresa e abriu as portas a todos os membros.

Em 1975, Hefner decide fazer de Los Angeles a sua residência permanente, reflectindo a influência que o cinema teve nos seus sonhos de criança. Cinco anos depois viria a liderar a reconstrução do letreiro de Hollywood, então extremamente degradado, o que lhe valeria uma estrela no Passeio da Fama.

Sofreria um AVC em 1985, que o levou a mudar de estilo de vida, o que culminou, quatro anos depois, no casamento com Kimberly Conrad, que então reinava como Playmate do Ano. Tiveram dois filhos, Marston Glenn, em 1990, e Cooper Bradford, em 1991. Viriam a separar-se em finais dos anos noventa, divorciando-se efectivamente em 2010, quando os filhos foram para a universidade. Voltaria a casar em 2012, com a Playmate Crystal Harris.

Hefner, que tinha uma colecção com mais de mil filmes, era uma criatura de hábitos: todas as sextas assistia com amigos a filmes clássicos. As noites de sábado eram normalmente marcadas por mini-festivais de cinema mudo e para os domingos estavam reservadas as estreias, sendo que nos seus aniversários cumpria a tradição de exibir Casablanca. Faleceu tranquilamente aos 91 anos, na sua casa, a Mansão Playboy, junto àqueles que o amavam.


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