O outro lado do futebol

Por Playboy Portugal

14 de April de 2017

Há mais de dois anos que futebolistas, treinadores, dirigentes, jornalistas e outras figuras públicas contam episódios das suas vidas que estão relacionados com futebol no Relato, nomeado para os prémios Blogs do Ano em 2016, além de ter dado origem a um livro publicado pela Saída de Emergência. Leia os melhores momentos de algumas das histórias entre as centenas que já foram contadas em www.relato.pt


Pedro Abrunhosa

A “comitiva VIP” foi completamente abandonada à sua sorte, sem água, sem comida, sem lavabos, e entretanto iam chegando as claques do Porto, que iam embarcando nos seus próprios aviões fretados, todos cheios. Ficámos todos em terra: Presidente da Câmara do Porto, um ex-Presidente da Assembleia da República, alguns empresários da cidade, sem local onde nos sentarmos, era um cais de carga. Estivemos ali desde as dez da noite do dia do desafio, até às nove da manhã do dia seguinte, sem as menores condições, com toda a gente a invectivar o Presidente que tinha fugido no avião, literalmente.

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Jorge Andrade

Já nesse jogo com a Coreia, eu ia entrar e ele disse-me “vais jogar ali no meio-campo.” Passada uma jogada, “não, vais jogar a central.” “Não, vais jogar a lateral direito.” Entrei e algum tempo depois ia entrar o Nuno Gomes. O Nuno depois contou-me que a mensagem para ele foi “vais entrar para o lugar do Jorge Andrade.” “Mas Mister, o Jorge entrou agora.” “Ah, então vais entrar para o lugar do Petit.”

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António Raminhos

No meio daquela confusão, o meu colega vê Hugo Leal a sair de carro, ser rodeado de sócios e pediu-me para ir escutar, discretamente, o que estavam a conversar. Ouvi o que tinha a dizer e saí dali incólume. Uns metros à frente saquei do bloco para apontar aquela meia dúzia de vocábulos. E foi assim que a ingenuidade e a imbecilidade se juntaram e fizeram o doce amor. Logo nesses segundos ouvi passos apressados atrás de mim, misturados com gritos de “ele é jornalista!”, “o gajo estava a escrever”, se bem que a parte de “o gajo estava a escrever” podia ser só de surpresa.

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João Coimbra

Quando faltam 5 minutos fazemos o 2-0 e eu volto a acelerar e a pensar que seria esse o momento em que iria entrar. Volto a ouvir o “espera mais um pouco”… Entretanto já nem sabia o que fazer em termos de aquecimento e alongamentos ali junto ao banco! Olho para os meus colegas e o Mantorras, sempre pronto para a brincadeira, ria-se da situação à qual eu próprio também achei graça, apesar da minha enorme vontade para entrar.

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Rui Sinel de Cordes

Estava num bar de strip em Benfica e a caminho do WC reparo numa mesa cheia de homens engravatados, raparigas semi-despidas e copos de whisky. No meio disto, estava Eusébio. Pensei que se contasse isto no dia seguinte no trabalho, ninguém iria acreditar. Então, aproximei-me, e pedi-lhe um autógrafo. “Peço desculpa por interromper, já vi que está em boa companhia”, atirei.

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Gaúcho

Era uma quinta-feira, por volta da meia-noite, já estava a dormir, e o Zé Luís, que era um dos responsáveis pelo futebol do Estrela, foi ao meu quarto, bateu à porta e disse-me “Gaúcho, o teu padrinho (era assim que eu tratava o presidente) quer falar contigo”. E eu “pôxa, Zé. É meia-noite!” Mas ele insistiu “tem de ser. Tem de ser agora.” Então lá fui ao quarto do presidente. “Diga lá, padrinho.” E ele “o que é que você quer para ficar aqui no Estrela?” Ele já tinha tomado uns copos.

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Paulo Garcia

Sem que nada o fizesse prever, à minha frente, caíam adeptos uns por cima de outros. A varanda cedeu! A queda só era abafada precisamente por isso; porque caiam uns por cima de outros. Sem que se percebesse de imediato o que estava a acontecer, fica-me para sempre a imagem do médico do FC Porto Domingos Gomes, debaixo de uma chuva de pedras vindas de cima e que visavam atingi-lo, tentar salvar o impossível. Do drama de Reinaldo Teles, angustiado e aterrorizado tentando perceber se naquele monte de corpos estava o seu filho sportinguista, e da minha impotência para responder àquilo que via.

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Mozer

— Jean-Pierre, você viu com quem caímos?
— Vi, vi. Com o teu ex-clube.
— Pois é. Agora você é que vai ver o que é pressão.
— Porquê?
— Porque o estádio lá vai encher.
— Vai encher? E quantos mete?
— 120 mil!
— O quê?!
— É. 120, meu filho. Lá não se brinca.

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Carlos Daniel

Estou a fazer o relato para a TSF e o repórter de pista, como nós chamamos ao repórter volante, era o Teófilo Fernando, que está na Antena 1. E na instalação sonora do Estádio das Antas toca aquela música do Iran Costa, o Bicho. Isto foi no tempo em que as equipas não entravam em simultâneo, entrava uma de cada vez, e eu digo: “é o delírio no Estádio das Antas! São bandeiras, são cachecóis e entra a equipa do Porto, Teófilo.” E o Teófilo responde da pista: “Entra o Porto e toca o Bicho.” Faz-se um silêncio absoluto na antena, ninguém disse mais nada, nem ele, nem eu, nem o comentador, ninguém conseguia falar.

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Antchouet

E parti as garrafas com um grande estrondo. O Abílio conta que começou a pensar nos filhos e a temer que os matasse a todos! Ainda hoje diz “sabíamos lá que um gajo africano não ia gostar deste tipo de brincadeiras?”. E depois saíram disparados do posto médico. Nisto, o Carvalhal, que era o treinador, disse-me “Antchouet, acho melhor ires descansar”. E eu disse que não, que estava bem para treinar. E ele insistiu “é melhor, os outros hoje não querem treinar contigo”.

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Domingos Amaral

Um dia também fomos a Braga, com quem o Guimarães tem uma rivalidade histórica, portanto aquilo era mesmo ir ao terreno do inimigo. Estávamos ali caladinhos, numa bancada cheia de gajos do Braga, e foi a primeira vez que senti que não gosto nada de ver futebol no estádio dos adversários. É extremamente desconfortável, há uma pressão brutal sobre ti para que não te manifestes, é perigoso. Gritámos quando foi o golo do Guimarães e estavam umas pessoas ao lado que nos queriam bater! Teve de ser o meu tio a pedir desculpa e a explicar que éramos miúdos…

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Luís Vidigal

Até que ele me diz: “preciso de ti aqui. Tens de vir porque o Makélélé não quer ficar e eu preciso de um jogador com as tuas características. Sabes que esta equipa é só índios, só atacam, e preciso de alguém para dar sustento ali no meio-campo. Esta é uma conversa que só nós e esta pessoa que te ligou sabemos. A tua apresentação será feita em cima do momento, não há preparação, é chegar, apresentar, e os jornalistas não têm tempo para dizer mais nada. Está resolvido, e eu é que sei”.

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Allen Halloween

Terminados os festejos, eu senti algo de estranho na minha boca. Era como se alguém me tivesse tocado nos lábios ou dado um beijo durante a confusão e eu não tivesse visto. Uma sensação de frescura, daquelas que se sentem quando mastigamos uma pastilha de mentol, um ventinho frio. Quando finalmente levo a mão a boca, notei então que me faltava metade dum dente.

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José Fonte

Estava em Liège para assinar pelo Standard, com o Michel Preud’homme e o Luciano D’Onofrio, já com o contrato à frente, quando recebi uma chamada do presidente Luís Filipe Vieira, que me perguntou:
– O que é que estás aí a fazer?
Respondi:
– Presidente, vou assinar. Tenho o contrato à frente e agora não posso sair daqui. Não tenho outra hipótese.
E ele só disse:
– Vais fazer o seguinte: pede 24 horas.

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Miguel Costa

Alguns adeptos do Benfica começaram a queimar bandeiras, cachecóis, envergonhados pelo resultado tão desnivelado. Aquilo impressionou-me na altura. Ainda hoje. Não é uma crítica, não é gozo, impressionou-me. Mas era dia de festa, uma festa louca! O jogo acabou, o Manel marcou 4, o Mário Jorge 2, o Ralph Meade marcou mais um. Nessa época, o Benfica foi campeão, com apenas uma derrota. O meu Sporting ficou em quarto. Se trocava aquela vitória pelo título de campeão? Nunca! Não é por acaso que é o resultado mais desnivelado até hoje em derbis entre o Sporting e o Benfica.

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Fábio Paim

Cheguei lá e vi aqueles gajos todos: Luís Figo, o Cristiano, o Deco, são pessoas que só via na televisão. Ficas assim: “fogo, a sério?” Equipei-me, saímos do Hotel Amazónia e quando entrei no autocarro para irmos para o Jamor perguntei onde é que me podia sentar. E disseram-me:
– Senta-te aqui, este lugar está vazio.
Sentei-me e adivinha de quem era o lugar: do Luís Figo! Tchiii… Quando o homem entra não tem lugar e começaram todos a gritar:
– Já ninguém te respeita! Olha o miúdo no teu lugar!

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Guilherme Cabral

Normalmente em dias de jogos há sempre ali polícia, mas ele não se lembrou. Nisto, o Edhy vira-se para mim:
– Estamos lixados… Faz-te de atrasado mental!
E eu:
– Hã?
Diz-me ele:
– Inventa qualquer coisa! Faz-te de atrasado, qualquer coisa… Espuma-te da boca! Diz que te dói o coração… Epá, qualquer coisa!
Começo a agarrar-me ao peito e o senhor guarda manda-nos parar.
– Boa tarde. Então, para onde é que o senhor ia?
E o Edhy:
– Vou para o hospital, aqui o meu colega está a sentir-se mal. Ele tem problemas de coração.

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Dani

Chegamos ao jogo, estava um bocado nervoso, vou para aquecer, e quando regresso ao balneário, uns minutos antes de entrar em campo, olho para a camisola e em vez de estar Dani estava Carvalho. Pedi uma explicação para aquilo e o Van Gaal disse-me que punham sempre o último nome. Era R. De Boer, D. Blind, M. Overmars… E eu “epá, mas era Dani e tal”.

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Carolina Torres

Portanto era altura de lidar com aquela presença, até porque não tinha muito tempo, o Sr. Pinto da Costa é um homem ocupado. Muito despachada e rapidamente disse ao casal que acompanhava “This is our great president. You can say hi”. Disse-o alto de forma a que ele ouvisse. E criei um momento bastante constrangedor. Acho que nunca ninguém se tinha atrevido a fazer tal coisa em frente ao nosso Pinto da Costa, que nesta situação esboçou um sorriso meio envergonhado e deve ter pensado “ai que rapariga levada da breca”.

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Cândido Costa

Dirigi-me ao Paulinho, receoso, e lá lhe disse “Senhor Paulinho, somos os dois no quarto”, ao qual ele respondeu: “a sério? Então leva-me o saco que estou à rasquinha das costas”. E eu, claro, lá peguei no saco, fui para o quarto e esperei por ele. Passados uns 15 minutos lá chegou o Paulinho, que me perguntou logo qual era a cama que eu preferia. Eu, humildemente, respondi que ele é que escolhia. Ele insistiu, e eu acabei por dizer que gostava da cama perto da varanda. E ele prontamente disse: “então ficas na outra!”

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