O lado B do Vodafone Mexefest 2016

Por Marco António Reis

28 de November de 2016

Ao passar de mais um Vodafone Mexefest pelas ruas da capital, é tempo para o devido rescaldo. Foram dois dias de muita e boa música (com 50 concertos) a cruzar a Avenida da Liberdade, saltando entre espaços míticos como o Coliseu dos Recreios, o cinema S. Jorge ou o teatro Tivoli.

No dia de arranque, também apelidado como a “sexta-feira seca”, todos puderam saltar ― ou ziguezaguear ― alegremente entre as diversas salas de espectáculo e vibrar, apesar do frio, com excelentes actuações como as de Céu, Talib Kweli ou Jagwar Ma. Mas se sexta foi um bom dia para a maioria dos melómanos presentes, o dia seguinte revelou-se inultrapassável!

A chuva ou, porque não dizer, a tempestade que assolou Lisboa (inconvenientemente, entre as 20:00 e as 23:00, horário dos concertos mais aguardados), e que normalmente seria o maior pesadelo para quem organiza ou quer desfrutar de um evento deste género, acabou por servir como catalisador para mobilizar os genuínos amantes de música, ali presentes. 

Imbuídos de um espírito único, num festival eclético onde tudo acontece muito rapidamente e ― por vezes ― quase ao mesmo tempo e em diversos locais, pudemos acompanhar, quase em acto contínuo, o deslocar de massas que ciclicamente entravam e saiam das salas. 

Era ver o fluxo de entradas, ao longo de espectáculos memoráveis como os de Mallu Magalhães (que rendeu a plateia do Tivoli num concerto intimista) ou Gallant (o americano que alguns comparam a Prince ou Marvin Gaye), para testemunhar quase o mesmo volume de saídas que, por exemplo, corriam para o concerto de Kevin Morby (para muitos o mais impressionante concerto da noite), na expectativa de vibrar com os primeiros acordes do texano e regressarem a tempo de Elza Soares (a quase octogenária que impressionou toda a plateia do Coliseu). 

Pelo caminho, aconteceu António Zambujo que, no Largo de S. Domingos (no Rossio) e à semelhança de Jorge Palma na noite anterior, se entregou às centenas de fãs que ali pararam para o ouvir. Num dos momentos mais mágicos do festival, entre guarda-chuvas e capas de plástico, muitas foram as vozes que entoaram ― de forma mais ou menos afinada ― temas como “Zorro” ou o “Pica do 7”. 

Numa noite onde ainda nos pudemos molhar com a aparição de Capitão Fausto na varanda do Coliseu (foi o Vodafone Cuckoo), fica o registo de uma das mais fortes edições em termos de cartaz e, seguramente, a mais memorável… pelo menos até ao próximo ano.

MAR

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