Negócio de Alto Risco

Por Playboy Portugal

11 de July de 2018

APESAR DE SE TRATAR DE UMA ALTURA PERIGOSA DA JANELA DE TRANSFERÊNCIAS, PELA REDUZIDA AMOSTRA DE JOGOS E O MEDIATISMO QUE FAZ DISPARAR OS PREÇOS, AS TRANSFERÊNCIAS PÓS-MUNDIAL SÃO UM CLÁSSICO, ATÉ PORQUE ALGUMAS NUNCA ACONTECERIAM SEM ESSES MOMENTOS DE GLÓRIA A CADA QUATRO ANOS. RECORDE O PASSADO E LEVANTE O VÉU SOBRE O QUE PODERÁ ACONTECER MUITO EM BREVE.

Um Campeonato do Mundo, apesar de ser a pior altura para se fazer uma contratação, continua a ser um acontecimento fabuloso para transferências. Um torneio de sucesso, com apenas uma pequena amostra de jogos, pode transformar um bom jogador num fenómeno e um craque numa estrela, sendo que esta transformação se dá à frente dos olhos de uma audiência global, o que faz com que habitualmente não se descubra ninguém num Mundial: os nomes que agradam aos mais poderosos economicamente são óbvios e também os próprios clubes sabem que se estão a meter num leilão.

Só que, dependendo da filosofia do clube, isso pode ser quase obrigatório, como no caso de um Real Madrid, que ainda no Mundial anterior voltou a fazer das suas. James Rodríguez já tinha vencido a Liga Europa pelo FC Porto e feito uma época de estreia impressionante ao serviço do Mónaco, mas o que o tornou numa estrela que justificasse uma apresentação triunfal em Madrid foram aquelas semanas no Brasil. Os adeptos e os patrocinadores ficam contentes, a contabilidade do comprador nem tanto.

Entre revelações e consagrados, o actual tricampeão europeu é fértil em negócios pós-Mundial. Podemos recordar Toni Kroos, que chegou do Bayern também em 2014, Sami Khedira (Stuttgart), Mesut Özil (Werder Bremen) e Ángel Di María (Benfica), após o Mundial 2010, ou ainda mais atrás Fabio Cannavaro (2006), Ronaldo “fenómeno” em 2002, ou Gheorghe Hagi, que chegou a Madrid após o Itália’90 e depois do de ’94 voltou a fazer outra grande transferência, dessa feita do Brescia para o Barcelona.

Mas nem todas as histórias têm um final tão feliz, como o demonstram as transferências, também em 2014, de Luke Shaw para o Manchester United e Divock Origi para o Liverpool. Ainda com 18 anos, o lateral-esquerdo inglês chegou a Manchester com o rótulo de adolescente mais caro do mundo, mas o problema não têm sido apenas as expectativas, antes as lesões, que levaram a um baixo número de jogos pelos red devils, fazendo no total das quatro épocas que lá está pouco mais de quarenta partidas, o que facilmente pode ser atingido apenas num ano.

Em 2010, Edinson Cavani foi um dos que aproveitou para dar o salto para outro nível. O uruguaio estava desde 2007 no Palermo, depois de ter chamado as atenções no torneio sul-americano de sub-20, mas foi no Mundial da África do Sul que se afirmou definitivamente na selecção principal, capitaneada por Diego Forlán. Desde então tem sido sempre a subir, primeiro ao longo de três épocas no Nápoles e nas últimas cinco ao serviço do Paris Saint-Germain.

Também na capital inglesa, o Tottenham serviu-se dos excedentes do Real Madrid e acolheu Rafael van der Vaart, depois de este ter ajudado a Holanda a chegar à final do Mundial. 

Este ano, além de o Real Madrid estar sob pressão pelo adeus de Cristiano Ronaldo e Gareth Bale após a final da Champions, temos também outra curiosidade, com a primeira grande mudança em anos no mercado de transferências, isto logo em Inglaterra, onde hoje qualquer clube de fundo de tabela tem recursos para tentar assegurar a sua figura do Mundial. É que os clubes ingleses aprovaram uma antecipação do fecho do mercado de contratações, para 9 de Agosto, dois dias antes do início da Premier League. Com o poderio financeiro dos clubes ingleses, isso fará com que o mercado vá funcionar de maneira distinta este ano, em duas fases, o que o tornará ainda mais imprevisível. 

Já o argentino Paulo Dybala chegou a Palermo ainda com 18 anos, onde foi apresentado como o novo Sergio Agüero. Passou lá três épocas, antes de em 2015 seguir para a Juventus, o que lhe abriu também as portas da selecção argentina. Apesar das convocatórias ao longo destas últimas três épocas, a fartura de opções ofensivas levou a que apenas agora se vá estrear numa grande competição pelo seu país, o que justificou plenamente, com 22 golos na Serie A. E apesar de já estar num grande de Itália, será um dos talentos que poderá tornar-se bastante apetecível após um desempenho interessante no Campeonato do Mundo.

Estes são alguns dos mais sonantes, mas são bem mais os que podem deixar a sua marca na Rússia, como o uruguaio Maxi Gómez, avançado que na época de estreia pelo Celta de Vigo marcou 18 golos na Liga espanhola. Ou Hirving Lozano, extremo mexicano que fez uma primeira temporada explosiva no PSV, com 17 golos e 11 assistências no campeonato holandês, o mesmo onde o extremo iraniano Alireza Jahanbakhsh se tornou o primeiro asiático a ser melhor marcador num campeonato europeu de destaque, graças aos 21 golos e 12 assistências pelo AZ Alkmaar. E poderíamos continuar, com Aleksandr Golovin, promessa do meio-campo do CSKA Moscovo ou Sergej Milinkovic-Savic, box-to-boxda Lazio e da selecção sérvia.


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