Masculinidade

Por Playboy Portugal

03 de October de 2017

Cooper Hefner, filho de Hugh Hefner aprofunda o que significa ser um homem nos dias de hoje.

Desde o início da consciência humana que exploramos o que significa ser homem muito mais do que permitimos analisar o que significaser mulher. Isto é uma questão de fundo para a maioria das culturas de todo o mundo. Historicamente se uma mulher se quisesse candidatar para diretora executiva de uma empresa ou simplesmente tivesse o desejo de possuir a sua sexualidade provavelmente não conseguiria, pois foi criada para falhar com base numa verdade simples: críticos, tanto masculinos quanto femininos têm a tendência “de sair da toca” sempre que as mulheres se tentam apropriar do seu próprio destino.

Embora os tempos tenham mudado ao longo dos séculos, esta luta continua hoje, com influenciadores feministas e femininas que rompem barreiras e continuam a definir o que significa ser mulher. Betty Friedan, Gloria Steinem e outras líderes famosas que guiaram o movimento feminista parecem mais relevantes agora do que nunca. Escritoras como Roxane Gay e Lena Dunham, bem como figuras políticas notáveis ​​como Kamala Harris e Elizabeth Warren são apenas algumas que agarraram a causa e continuama lutar pela igualdade.

Como as mulheres continuam a definir a sua personalidade e impulsionar a sua evolução, os murmúrios silenciosos e muitas vezes não verbais do outro lado atormentam a mente dos homens. Em algum momento, a nossa evolução como homem, ou pelo menos a conversa e o debate construtivo, falhou. E assim surgem algumas questões, sem respostas simples: o que significa ser um homem hoje? Como é que é saudável possuir a sua própria masculinidade? Muitas vezes isto leva a um grande desconforto na mente masculina.

Ao longo da segunda metade do século XX e início do século XXI, o meu pai desempenhou um papel fundamental nesta exploração. Hoje, temos novas figuras que definem a masculinidade, sendo que muitas delas afirmam que devemos agarrar as mulheres pelo "sexo" e explicam que elas só fogem por causa da fama. Este tipo de indivíduos são agora os líderes do mundo livre, e quando penso sobre essas observações fico triste. Ao recordar as reflexões de um ex-presidente americano Abraham Lincoln, um homem que eu respeito profundamente: “Quase todos os homens podem suportar a adversidade, mas se quiseres testar o caráter de um homem, dá-lhe poder." A filosofia e as observações de Lincoln não só construem um método que fornece uma bússola para os bons costumes como também conseguem definir características do que faz um bom homem. Estas palavras são verdade quase 150 anos após a sua morte.

Hoje, alguns homens conseguem dezenas demilhões de seguidores nas redes sociais, como Dan Bilzerian, pintando um retrato de um estilo de vida masculino que parece gratificante no exterior,devido à representação de uma quantidade exorbitante de excesso de material (e mulheres!). Enquanto a indulgência continua fascinante para milhões de pessoas, o que realmente atrai a maioria dos rapazes e dos homens vem do desejo de entender e responder as mesmas perguntas: o que significa ser um homem hoje e como é que se é um dono saudável sua masculinidade?

De certa forma, a vida de Bilzerian espelha a do meu pai - um homem que escolheu caminhar por um caminho particular no final da década de 1990 e no início dos anos 2000, retratando e promovendo certas qualidades de masculinidade, uma descrição de que Bilzerian e outros provavelmente tentariam imitar devido à sua definição do que significa ser um homem sem passar a mergulhar mais profundamente neste tema. É crucial explorar a importância de como os homens definem a masculinidade e como a cultura americana sagrou os seus representantes.

Hoje, a masculinidade é frequentemente ligada à violência, que é uma qualidade que não acredito que a maioria dos homens realmente deseja promover. Muitos homens adoram romantizar a violência, mas muito poucos, realmente apreciam os extremos, como a guerra. A sexualidade também define a masculinidade, mas a sexualidade sempre foi rotulada como saudável ou desviante, dependendo das várias formas como foram vistas pela sociedade num determinado momento da História. A sexualidade deve ser apresentada de forma a promover um nível de respeito pelo eu e pelo o outro, ao mesmo tempo que aceita homens que optam por viver fora dos limites sociais convencionais que definem os papéis de género. O mundo que nos rodeia diz frequentemente que um homossexual não é "viril". Esta qualidade social, que continua a prejudicar a cultura americana, tem a ver coma nossa interpretação e aceitação da masculinidade. Para aqueles que se encontram no extremo do lado conservador do espectro em relação à política social, lembrem-se de que a aceitação não é o mesmo que o encorajamento.

Estamos muito atrasados ​​no tempo para que os homens se deem à mesma permissão para evoluir a masculinidade como um coletivo, com as mulheres se dão a oportunidade de redefinir a feminilidade. Falharmos ao fazer isto permitirá que os "mauzões” continuem aditar o que significa ser um homem, algo com quem não devemos estar confortáveis ​​enquanto continuamos a andar em direção ao nosso futuro.


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