Libertem o vibrador!

Por Ana Garcia Martins

08 de September de 2017

Corria o ano de 1998 quando, pela primeira vez, uma série televisiva abordou um tema (mais ou menos) tabu: o maravilhoso mundo dos brinquedos sexuais. Era mais um episódio de “O Sexo e a Cidade”, a série que, dizem, pôs as mulheres a falar abertamente sobre estes assuntos, sem grandes pudores ou constrangimentos. Num dos muitos almoços das quatro amigas, a Miranda anunciou ao grupo que estava muito satisfeita com o seu mais recente vibrador ao ponto de mal sentir a falta de um homem. Revelação que, claro, deixou a púdica Charlotte desconcertada: “Um vibrador? Um vibrador não te telefona no teu dia de anos, um vibrador não te envia flores no dia seguinte, não podemos apresentar um vibrador à nossa mãe. Prefiro guardar o sexo para um homem que me ame”. Claro que a Miranda não a deixou sem resposta: “eu sei de onde é que vem o meu próximo orgasmo, quem é que nesta mesa pode dizer o mesmo?”.O episódio desenrola-se e inclui uma ida a uma sex shop, onde a Charlotte é “apresentada” a um vibrador cor-de-rosa em forma de coelho (“Achava que ia ser assustador e esquisito, mas não, é cor-de-rosa, para meninas!”). Acaba por levá-lo para casa e tornam-se inseparáveis, companheiros de infindáveis horas de prazer. Tão infindáveis que as amigas se se vêem obrigadas a fazer uma intervenção e tirar-lhe o vibrador, numa tentativa de recuperaram a antiga vida social.Claro que o episódio está carregado de ideias feitas e um bocadinho redutoras. A sugestão de que um vibrador substituiu um homem, a ideia de que não pode ser usado na companhia de um homem, a ideia que só as mulheres descomprometidas recorrem a este tipo de brinquedo, a ideia de que se tem de ir praticamente camuflado a uma sex shop, não vá alguém reconhecer-nos. Mas já era qualquer coisa, já era um primeiro passo para, pelo menos, trazer o assunto para a mesa de discussões. Quase vinte anos depois, acho que as coisas mudaram, para melhor. Claro que ninguém anda com uma t-shirt a anunciar “tenho um vibrador e gosto”, mas também ninguém se sente muitíssimo constrangido quando o tema vem à baila.A título de experiência mais ou menos sociológica, larguei a bomba no meu grupo de amigas: “o que me têm a dizer sobre brinquedos sexuais? Usam? Não usam? Têm vergonha?”. Encontrei um bocadinho de tudo, mas toda a gente falou do assunto à vontade. Havia quem nunca tivesse experimentado mas manifestasse curiosidade, havia quem assumisse sentir vergonha, havia quem usasse com frequência (sozinha ou acompanhada) e houve até uma data de sugestões. Umas coisas já conhecia, de outras nunca tinha ouvido falar mas… vivendo e aprendendo!Pela parte que me toca, sou a maior incentivadora de tudo o que possa trazer um “plus” à vida sexual, seja ela vivida com ou sem companhia. Claro que com companhia é sempre melhor, e os brinquedos sexuais podem ajudar à descoberta de novos mundos, sobretudo quando a relação começa a amornar. Mas, mesmo que estejamos numa relação, não vejo porque não possamos dar uso aos nossos brinquedos sem ter alguém por perto. Uma das (muitas) partes boas do sexo é mesmo essa: cada um faz as suas regras, não há certos nem errados. Posto isso, que esses vibradores saiam da gaveta e cumpram a sua função, que é para isso que eles existem.

Ohlala.sex, It’s Just Love

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