Alive and Kicking

Por Hugo Vinagre

13 de July de 2017

A 11ª edição do festival da Everything is New mostrou um evento cada vez mais no pleno do seu potencial.

Começou por ser o festival com outras preocupações, além de ligações a outras artes ou à ciência tinha algo que o diferenciava com especial interesse para os seus visitantes e que cedo marcou a diferença: outros palcos com programação estrategicamente definida e não para encher espaços mortos entre as paragens do palco principal. Em 2017 o de há uns tempos para cá NOS Alive é simplesmente o sítio onde muita gente quer ir naquelas noites do início de Julho. Há quem lá esteja apenas por um cabeça de cartaz e ignore o resto, quem passe a noite sempre no palco principal e nem liga ao que se passa à sua volta, os que fazem exactamente o contrário e praticamente nem se aproxima do palco principal, apenas interessado nos novos talentos e artistas mais independentes que dão tudo nos palcos mais pequenos, que são muitos. O Heineken é verdadeiramente o palco secundário, mas depois temos o Clubbing, que domina a zona onde todos se cruzam (já lá vamos), o simpático Coreto, o espaço dedicado ao fado e mais a tenda da comédia, quase sempre tão cheia que ficava aberta lateralmente onde ainda acomodava todos os que se contentavam praticamente só em ouvir quem por lá fazia stand-up.

E depois temos os outros, o pessoal todo que poderia ter saído à noite para outro lado qualquer da moda, mas nestes três dias nada brilha mais que o NOS Alive, o que os faz passar o tempo a ver e ser vistos nos espaços dos patrocinadores junto ao palco principal, ou a tentar encontrar alguém que lhes arranje uma dessas pulseiras mágicas que permitem o acesso às varandas da NOS, Heineken, EDP e por aí fora, além do acesso a cerveja gratuita. Grande parte da população acaba por ver concertos ao longe, falando ao ouvido de conhecidos e mexendo no telemóvel, autêntica máquina de selfies que transforma o NOS Alive nesse tal sítio onde todos querem estar, uma espécie de Coachella à beira Tejo. Estava muita gente? Os acessos são complicados? Pois, estava esgotado, mas isto também não é um resort de cinco estrelas e já é bem bom ter o chão todo alcatifado em vez de nuvens de poeira e pedrinhas nos sapatos. Não é porreiro ter que atravessar a CRIL, mas mais tarde ou mais cedo toda a gente consegue dispersar e são três dias, um para muitos, não estamos propriamente a comprar ali casa. No interior é efectivamente mais complicado circular que há uns anos, dificultando o andar a saltitar entre palcos para picar o ponto em inúmeras bandas interessantes que tocam muitas vezes em simultâneo, mas atravessando a zona central do festival, que parece uma estação em permanente hora de ponta, até se anda relativamente bem.

No palco principal os nomes que efectivamente fazem esgotar o festival cumpriram a sua missão. No primeiro dia os The XX estiveram magistrais e The Weeknd deixou o público extasiado com os seus singles fortíssimos, apesar de o espectáculo em si não ser tão do outro mundo como algumas das suas canções. Ele esforçou-se e deu graxa, até demais. Já o dia do meio era dos Foo Fighters, que sem dúvida mostraram que são uma das poucas bandas que em 2017 ainda tem capacidade para fazer rock de estádio, neste caso num festival. O alinhamento foi longo e completo, com um Dave Grohl extremamente bem disposto a interagir com o público sem olhar para o relógio, naquele que provavelmente terá sido o concerto mais longo destes três dias. Antes deles, nem The Cult nem The Kills conseguiram aquecer devidamente o maior dos palcos de Oeiras. A fechar os três dias os Imagine Dragons foram extremamente competentes e animaram o público que esperava pelos Depeche Mode, que se apresentaram em forma e apesar de na primeira metade do concerto se terem afastado dos seus grandes êxitos do passado, depois lá os foram debitando, faltando Just Can’t Get Enough e pouco mais para o público abandonar a zona do palco principal ainda mais satisfeito, mas Personal Jesus cumpriu a missão de fechar o concerto em grande.

E se este ano o NOS Alive esgotou três meses antes, tudo o que por ali se viu indica um futuro cada vez mais risonho. Aqueles milhares e milhares de estrangeiros certamente já estão a espalhar ainda mais a marca pelas respectivas redes sociais e vamos ver se os bilhetes para 12, 13 e 14 de Julho chegam a durar muito tempo efectivamente em 2018.


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